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O Recomeço e a Morte

O temporal era intermitente, as folhas caiam pesadamente como a chuva, não havia silêncio, mas a paz podia ser sentida de uma forma natural. O cheiro de chuva, a água descendo a ladeira fortemente e a brisa gelada arrepiaram o garoto diversas vezes. Sim, o garoto que passou por tudo tinha conseguido sobreviver ao desamor. O medo havia desaparecido, havia sido levado pela chuva.
O temporal aumentava, mas o garoto sorria parecendo um louco murmurando baixinho. Mas, na verdade, ele estava tranquilo, sereno e em paz. Os meses anteriores foram um inferno na Terra, mas com seu escudo e sua espada ele derrubou a todos. A verdade havia sido implacável, as informações que ele teve acesso fez com que ele acordasse para a realidade. E a Morte adoraria saber por qual motivo aquele sorriso estava no canto da boca do garoto misterioso...
— A chuva lava a alma, disse um filosofo do seu mundo uma vez — Se apresentou a Morte.
— Sim, de fato, isso é verdade. Mas pensei que nunca mais nos veríamos — Disse o garoto sobressaltando-se.
— Realmente me admirei em estar aqui novamente, desta vez não venho te buscar, tu estás cheio de vida, cheio de esperanças, cheio de prosperidade. Estou com muito orgulho de ti.
— Morte, eu vi a verdade, eu vi o fim nos olhos dele e me libertei. Foram tantas mentiras, tanta crueldade. Mas agora eu não quero falar sobre isso, porque não me importa o que será daquele ser repugnante daqui para frente. Eu me sinto vivo novamente, tenho ar nos meus pulmões, umas folhas e caneta para escrever, uma estrada longa para dirigir e muito mais.
— Oh! Isso realmente me surpreendeu. Tu estás ótimo. Mas eu sempre lhe trago uma mensagem e hoje não poderia ser diferente, correto? — Indagou a Morte seriamente.
— Já sei o que dirá, mas quero ouvi-la — respondeu o garoto.
— O ser é repugnante, mesquinho e orgulhoso. Porém, o outro, que o tem agora, é muito pior do que o próprio chefe do Inferno. A verdade, dentre as tantas verdades, é que nunca houve um relacionamento ali, houve um companheirismo, tu tentaste, tu levaste até onde deu, mas devo-lhe dizer que foi a melhor coisa que sucedeu em tua vida. Eu o visitei hoje e nem eu quero leva-lo, pois, o Inferno está cheio de pessoas como ele, lobo em pele de cordeiro, até onde o interesse levar. A vida, tão sábia quanto a morte, fará a queda ser grande para aquele ser e, quando ocorrer, será cruel e não quero que tu assistas a isso, entendido?
— Morte, o ser está morto. O que importa é a minha felicidade, as memorias ficarão aqui para sempre — disse o garoto indicando sua cabeça com o indicador — Nada poderá apagar, mas sinceramente, estou muito melhor agora e aprendi tanto, mas tanto. E estou feliz agora, eu estou em paz.
— E o sorriso no canto da boca?
— Sinceramente? Eu sou rico, sou rico demais e a minha vida é completa. E não posso reclamar, pois a verdade sempre apareceu na hora que devia e eu evolui, preciso de alguém que me complete, pois as peças ali nunca se encaixaram, nunca fui completo e eu me iludi. E agora, tenho certeza que serei completo, mesmo que perdi esse tempo todo.
— A vida te preparou garoto, não foi uma perda de tempo, pois surgirá muita coisa ainda pela frente e você está pronto para alcançar realmente o infinito. Tenho orgulho de encontrar um mortal como você, ame intensamente como você amou, poucos são capazes disso, como você mesmo percebeu. Seja feliz.
— Eu sempre fui feliz, Morte. Nunca deixei de ser, mas agora, eu serei feliz pra valer.
Bruno Gandin
Enviado por Bruno Gandin em 06/10/2019
Código do texto: T6762600
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Sobre o autor
Bruno Gandin
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
39 textos (296 leituras)
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Bruno Gandin