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Wang So Quarto príncipe, o rejeitado.

(baseado na série de televisão sul-coreana : Moon Lovers: Scarlet Heart Ryeo.
Aqui faço minha visão sobre a vida do quarto príncipe).

Num tempo em que família era acordos e negócios
Uma criança foi usada como barganha de uma rainha orgulhosa e desesperada
Em meio ao alvoroço, com uma faca na mão
Ela feriu, não só o rosto do menino,
Como seu coração
Desfigurado, se tornou sem serventia aquela mulher
Amarga e fria
Cheia de resentimientos
Viu naquela criança ferida
As marcas de seus resentimientos
Então, como se faz com um objeto quebrado
Para outra família foi enviado,
descartado, pela mãe que nunca o amou

A mulher que lhe adotou
Delirante pelo filho morto o tomou
E quando da sua loucura vinha a despertar
Como culpado pela morte do filho ela o tomava
Açoitava e trancafiava
Uma criança que só precisava de um pouco de atenção
Uma demonstração de afeto, talvez até um pouco de carinho
Foi usado como substituto de outro e quando não exercia seu papel
Era açoitado e trancafiado sozinho.

A dor, o medo e a solidão
Iam tomando conta do seu coração
Com medo do que podia acontecer,
Ele fazia de tudo pra obedecer,
Ainda assim era trancado
E com o tempo... Ia crescendo
Seu coração endurecendo
Sem o calor de uma demonstração de afeto
E perdendo seu valor
Sendo tratado como objeto
Descartado...
E seu fim foi tramado,
Jogado na montanha dos lobos
Para ser morto dilacerado
Ele foi deixado...

Mas que crime cometeu?
Querer viver e crescer como seus irmãos?
Querer um abraço apertado
Ou que sua mãe biológica lhe segure as mãos?

Não, não podia simplesmente ter seu fim
Não assim!
Ele só queria viver
Precisava sobreviver
Precisava provar o seu valor
Se não por amor, pela dor
Essa dor que é viver
Sem merecer
Uma migalha, uma fagulha de amor

Aos lobos famintos deixado para morrer
Ali encontrou todos os motivos que precisava para viver
Iria construir seu legado,
Seu nome seria lembrado
Principalmente por aquela que mal o suportava ouvir
Ela olharia só para ele mesmo quando tudo a volta
Estivesse prestes a ruir
Seria para ele que ela correria,
Quando não estivesse mais para onde fugir

Ensanguentado, ferido mas também renascido
E destemido
Uma montanha de lobos em chamas ele deixou para trás
E agora era temido,
Seu nome, só de ser ouvido
Causava uma desordem em desespero
Que afugentava um reino inteiro

Então era a hora de voltar
Precisava no palácio ficar,
Então iria provar do que era capaz
Seu plano era perfeito, iria mostrar serviços a coroa
Logo descobriu as tramas ambiciosas da rainha
E com sangue nas mãos da cabeça aos pés

A dor lhe amargava o coração
Muitas vidas ele tirou,
Apenas para salvar
Aquela que novamente o rejeitou
E para a mulher louca
Mandou ele retornar.
Rindo, pode entender que amar ela jamais poderia saber

A furia tomou conta alimentada pelo rancor
Então aquela moça,Hae Soo
Que ele ameaçou algumas vezes matar
E ela o questionou,
Que mal havia querer viver ?
E foi o suficiente para conquistar
Uma leve admiração
E agora,
Surge como a calmaria para sua aflição
A moça de outro tempo lhe sorriu
Não teve medo,
Não partiu,
E ele teve certeza, seu plano, seus muros
E sua dor, tudo ruiu.
Tomado por aquele sorriso diante da neve que caia
Ele descobriu um novo mundo,
E agora também sorria

Não precisava mais implorar por atenção
'Sua pessoa' se importava
Sem precisar perguntar
E só um olhar
Já lhe ralhava e ao mesmo tempo aquecia o coração

Ela surgiu como a luz na escuridão,
Mostrou que sempre há uma opção
E que não precisa dessa solidão
Que é viver a sombra da ilusão

Ela surgiu e lhe estendeu a mão,
Quando todos demonstravam desprezo
Ela era ele mesmo, alguém que ele já foi um dia
Jogada em meio aos lobos, famintos de poder e desejo
Ela, inocente e destemida
Que não se deixava ser corrompida
Ela era alguém que ele precisava proteger,
Para isso ele precisava de poder…
Da coroa e pela corroa
Ela sofreria
Ela... Era sua nova motivação,
Seu recomeço
Até sua salvação

Salvação que foi machucada,
Traída, enganada e até manipulada
E então foi julgada e levada
E encontrá-la era seu dever.

Claro que não se consegue esquecer o que viveu desde pequenininho,
Mas se consegue seguir em frente
As vezes é difícil seguir sozinho
Mas ele descobriu o próprio caminho
Olhando o mundo com olhos de outro ser,
A moça de outro época.
Ele atravessaria toda uma dinastia
Quebraria o espaço tempo
Mas a teria!
Encontraria sua pessoa
Novamente e a protegeria,
Mesmo que céus e terras ele precisasse mover



Moral da história

As vezes é difícil conhecer o amor, somos todos criados de maneiras diferentes e obrigados a crer e entender somente o que dizem para nós que é certo, um filho desesperado pelo amor da mãe que o marcou e não suporta encará-lo pois ele é um lembrete constante do seu erro, não é diferente, ele passa tempo tentando reparar o erro que não cometeu, passa a vida se torturando e se cobrando por não ser perfeito, até alguém ensina-lo que o amor não é imposto, não é forçado, é tão simples puro e de graça que nos sentimos até envergonhados por receber algo tão lindo que tentamos ser melhores para retribuir e tentamos fazer o possível e o impossível para proteger esse sentimento.
Mas a maioria das pessoas não conhece outro mundo além do da dor e tortura psicológica desde criança, seja como Bulling na escola, palavras duras de cobrança vindas daqueles que amamos ou vindas de desconhecidos em redes sociais, não importa o meio, importa somente o que podemos fazer, podemos estender nossa mão, abrir nosso coração e compartilhar nossas histórias para que juntos consigamos superar e redescobrir o viver, o sorrir o sentir e até o crescer de um novo 'eu', eu que não é formado pelos rótulos que o mundo dá, mas  é construído pelo que nós mesmos queremos ser.
Graziele Fregatti
Enviado por Graziele Fregatti em 06/10/2019
Código do texto: T6762311
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Graziele Fregatti
Cabreúva - São Paulo - Brasil, 24 anos
62 textos (587 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/11/19 18:35)
Graziele Fregatti