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O trabalho dignifica o homem! Que trabalho mortifica ou escraviza o homem e a mulher? Marx, doutrina social da Igreja Católica,

TRABALHO

NECESSIDADE, IMPOSIÇÃO, DIGNIDADE, ALIENAÇÃO, FORTALECIMENTO DE VÍNCULOS SOCIAIS, OCUPAÇÃO, EMPREGO, OPORTUNIDADE, MOBILIDADE SOCIAL, ABURGUESAMENTO, EMPOBRECIMEENTO, APOSENTADORIA, (DES)VALOR E PROJETO OU PROJEÇÃO OU UTOPIA, CASTIGO E LIBERTAÇÃO...
 
Desde quando trabalhamos? Por quê?
A quem e para quem servimos ou não?
É útil trabalhar e por que muitos adoecem no trabalho?
Sem trabalho, a vida perde sentido? Por quê? Quando? Em que medida?
Como introduz cultural e eticamente o sentido humano do trabalho?
De que modo se deve educar para o trabalho quando houve mudanças tecnológicas na sociedade? A escola deve ser a mesma se o trabalho tem outras significações?
Veja o artigo: De onde vem o trabalho? http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/de-onde-vem-o-trabalho/29709/
O trabalho promove, ocupa, santifica, dignifica o ser humano quando o coloca em harmonia com o outro e com o Totalmente Outro.
Mas, o trabalho aliena quando manipula, subordina demais, humilha, empobrece e explora pessoas e grupos, nações e regiões do planeta.
Trabalhar faz parte da vida, não é a vida inteira. Tem gente que acha que nasceu para trabalhar. Adoecem se não trabalha! Outros arranjam tempo para cada momento da vida: um deles é o trabalho e seu emprego.
Vejamos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutrina_Social_da_Igreja
Por muito tempo, o trabalho foi visto como castigo, dor, punição, humilhação. Associado a salário precário. Infelizmente, ainda acontece conosco. Aristóteles classifica o trabalho em intelectual (nobre), o braçal (plebeu, menos valorizado por estar na condição imposto aos escravos.).
"O homem é um animal que ri" aprendeu a trabalhar como forma de organizar-se social e culturalmente. Criou cercas, propriedades, aldeias, grupos diferentes, "status quo".
Socialismo e capitalismo são vampirismos contra a humanidade!
Não há sistema perfeito e totalmente ético, porque é feito de homem e mulheres imperfeitos. Buscam o aperfeiçoamento, mas retrocedem com a corrupção de valores e costumes., a marginalização dos pobres e do povo, sem escola e segurança, planos de saúde decentes. Aos ricos tudo, aos pobres - nada! Caminhamos às apalpadelas rumo ao futuro, aprendendo com a democracia contra a ditadura, tirania e autoritarismos. Nada de cruzadas em nome de Deus. Deus não precisa de nossa fraca justiça! A fome mata e a guerra sepulta nações!
O socialismo criou a ditadura do Estado sobre o indivíduo: o coletivismo!
O capitalismo humilhou a pessoa isolando-o no sistema, fragilizando-o como peça de produção e objeto descartável como velho, aposentado, mendigos inúteis, jovens marginalizados, prostitutas sem valor, pobres, etc. Por isso, não investem em educação, saúde e segurança para o povo. Os políticos se conluiem com os donos de empresa e do capital local e global para fazer da nação um "rebanho para o matadouro".
Com o capitalismo, a moeda tornou-se fundamental nas relações de apoderamento burguês e submissão do proletariado. Quem paga tem mais poder do que quem vende sua força de trabalho, assevera K. Marx. A mobilidade social é lenta e polêmica. O sonho de ser rico está na introjeção da ideologia de estar acima na hierarquia e deter riqueza, prazer e poder: ídolos perigosos da manutenção da ordem social e razão de males sociais como depressão, roubo, assassinatos, racismos, manipulação ideológica, bullying, inveja, desestruturação de lares, desigualdade social, crises econômicas, neoliberalismo, trafico de pessoas, bebês, crianças, mulheres, migrantes, órgãos do corpo, de pássaros e outras espécimes e plantas da natureza, poluição e efeitos estufa, entre tantos outros males e pecados sociais e individuais. Daí, os pecados capitais gerarem pecados estruturais (desemprego, inflação, corrupção etc.) e pecados mortais (que nos separam de Deus e do próximo, humilha a natureza e os animais). "O homem passa ser o lobo do homem." (Hobbes) O homem coisifica as suas relações sociais e se mercalogiza tudo e todos, infelizmente. Há grupos e sociedades alternativas a se inspirarem em utopias da fraternidade, liberdade e igualdade. Deus criou o homem, este a dominação, o abismo entre ricos e pobres, ricos e pobres, a humilhação entre brancos e negros, a instrumentalização de mulheres, a má distribuição da terra entre pessoas (veja o caso de índios e quilombolas, que absurdo!).

J B Pereira
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A palavra trabalho vem do latim tardio "tripalium", um instrumento do tempo do Império Romano formado por três estacas que serviam para imobilizar o cavalo enquanto ele recebia as ferraduras - ou seja, enquanto era ferrado. ... Em grego, a palavra mais próxima de trabalho era 'pónos', cujo significado é: pena, sofrimento, fadiga.

http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/de-onde-vem-o-trabalho/29709/
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Planeta dos Macacos: A Guerra

Você viu o filme dos macacos? agosto de 2017 - O César morre!

Gostei do Planeta dos Macacos. A ficção os faz pensar na humanização dos animais e animalização dos humanos. Estes perdem o poder da linguagem e isso é frustrante. Os macacos são torturados para trabalho escravo e pregado em cruzes de Santo André (em forma de x).
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Embora os textos mais antigos, como os Atos de André, mencionados por Gregório de Tours, descrevem que ele teria sido atado, e não pregado, a uma cruz latina, desenvolveu-se uma tradição de que André teria sido crucificado numa cruz do tipo conhecido como Crux decussata ("cruz em forma de 'x'"), comumente conhecida ...
https://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Andr%C3%A9
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Planeta dos Macacos: A Guerra

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-226244/trailer-19552295/

Há a luta do bem e do mal: perdoar ou não o inimigo. Nobre é perdoar - nem que seja a duras penas e triste luta interior pela morte de seu filho. Macaco não mata macaco é a tese do filme: mas César tem que superar seu medo para salvar o grupo.

A seleção natural darwiniana está na tese do filma porque sobrevive o mais forte e mais adaptado à natureza: os macacos sobrem em palmeiras pra fugir da fúria da avalanche fria e esta mata os seres humanos. César morre no fim: como Moisés diante da Terra Prometida. Sobre uma menina (Amiah Miller) muda no final cuja inocência se junta aos macacos porque não consegue distinguir a principio o que é humano ou não. Toma a decisão de seguir com eles e sobrevive a tudo: solidão, fome, sede, morte, etc.

César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.
Data de lançamento: 10 de julho de 2017 (Nova Iorque)
Direção: Matt Reeves
Música composta por: Michael Giacchino
Indicações: Teen Choice Award: Escolha de Filme do Verão, Bandung Film Festival for Imported Film
Roteiro: Matt Reeves, Mark Bomback
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O bônus surgiu para incentivar ou iludir o trabalho como produtividade extra ou vantagens de determinado tipo de trabalho. Mas, muitos acreditam que o melhor seria um trabalho digno e um salário atualizado do que o chorado bônus dado a algumas categorias.

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"Do latim 'tripaliu' é a denominação de instrumento de tortura formado por três (tri) paus (paliu) , que era usado para os cavalos que não se deixavam ferrar. Dessa forma originalmente trabalhar significa ser torturado.
Antigamente só quem trabalhava eram as pessoas que não tinham posses." http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/trabalho/3534/

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O homem, segundo esta doutrina, foi criado ut operaretur - “para trabalhar”. As realidades criadas, são boas em si mesmas, existem em função do homem. O trabalho portanto, pertence à condição originária própria do homem, é anterior à queda do pecado original, não pode por isto ser entendido nem como punição e nem como sendo uma maldição ou castigo. É um instrumento eficaz contra a pobreza e deve ser sempre honrado, é essencial, mas não é o fim último da razão de ser da existência do homem, este não deve esquecer que a última razão da sua existência é Deus.

O trabalho representa uma dimensão fundamental do homem como participante da criação e da redenção. O trabalho é meio de santificação. Ninguém pode se sentir no direito de não trabalhar e de viver à custa dos outros. O trabalho é também uma obrigação, vale dizer, um dever do homem. Constitui uma obrigação para consigo, para com a família, a sociedade e a nação.

A pessoa é o parâmetro da dignidade do trabalho: “Não há dúvida nenhuma, realmente, de que o trabalho humano tem seu valor ético, o qual, sem meios-termos, permanece diretamente ligado ao fato de aquele que o realiza ser uma pessoa.” (Laborens exercens). Isto é, o valor do trabalho está não no que é feito mas está em quem o faz: a pessoa humana. O trabalho humano tem também a sua dimensão social: o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho.

O trabalho é um direito fundamental, tem um valor de dignidade e é também uma necessidade para o homem e para este formar e manter uma família, para ter direito à propriedade e para contribuir para o bem comum. Com efeito “se pode afirmar, com toda a verdade, que o trabalho é o meio universal de prover às necessidades da vida, quer ele se exerça num terreno próprio, quer em alguma arte lucrativa cuja remuneração, apenas, sai dos produtos múltiplos da terra, com os quais se ela comuta." [18]

Por ser um direito fundamental toda ordem econômica que se queira voltada para a justiça e para o bem comum deve estar orientada com vistas a alcançar o pleno emprego. O dever do Estado neste campo há de estar voltado preferencialmente para as políticas que criem condições e garantam ocasiões de trabalho, estimulando a atividade das empresas onde for insuficiente e apoiando-as nos momentos de crise. [19] Para a promoção do direito ao trabalho é relevante permitir e incentivar o processo de livre auto-organização dos diversos setores produtivos da sociedade, empresariais e sociais, a cooperação e a autogestão e outras formas de atividade solidária.

Relações com o capital[editar | editar código-fonte]
Pelo seu caráter pessoal de ato humano e em razão da dignidade da pessoa, o trabalho é superior e precede em importância a qualquer outro fator de produção, este princípio vale, de modo especial e particular, em relação ao capital. Entretanto, entre um e outro há uma complementariedade: “De nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital” (Rerum Novarum, 11). ...”é inteiramente falso atribuir ou só ao capital ou só ao trabalho o produto do concurso de ambos; e é deveras injusto que um deles, negando a eficácia do outro, se arrogue a si todos os frutos.” (Pio XI in Quadragesimo Anno, 195).

Na relação entre capital e trabalho há de se ter em conta, também a participação, de alguma forma dos trabalhadores na propriedade, na gestão e nos seus frutos. Há também que se respeitar o repouso festivo, este é um direito do trabalhador e da sua família.

Propriedade privada e função social[editar | editar código-fonte]
A Doutrina Social da Igreja sustenta que o direito à propriedade privada está subordinado ao princípio da destinação universal dos bens e não deve constituir um impedimento ao trabalho. Não é lícito possuir por possuir, ou possuir contra o trabalho. A propriedade, que se adquire com o fruto do trabalho, tem por dever servir ao trabalho. De tudo resulta que a propriedade particular é plenamente conforme a natureza, porque o seu fundamento está no trabalho humano ela é o fruto do trabalho. [20]

Esta doutrina considera indispensável uma reforma agrária, justa e eficiente, condena tanto o latifúndio porque expressão de um uso socialmente irresponsável do direito de propriedade como a propriedade estatal da terra, porque leva a uma despersonalização da sociedade civil, sugere que se favoreça largamente a empresa familiar proprietária da terra que a cultiva diretamente.

Trabalho e família[editar | editar código-fonte]

João Paulo II deu ênfase à proteção dos valores cristãos da família e promoveu os encontros mundiais da família.
1991, Brasil
O trabalho é o fundamento sobre o qual se edifica a vida familiar, que é um direito fundamental e uma vocação do homem. [21] É preciso que o Estado, as empresas e os sindicatos e os setores participantes da vida social promovam políticas do trabalho que não penalizem e não sacrifiquem as famílias, notadamente a dupla jornada de trabalha reduz o tempo dedicado à vida de família, e os problemas familiares se refletem sobre o rendimento no campo do trabalho.

O respeito aos direitos da mulher faz com que seja levado em conta a sua dignidade e a sua vocação. A verdadeira promoção dos direitos da mulher ...”exige que o trabalho seja estruturado de tal maneira que ela não se veja obrigada a pagar a própria promoção com o ter de abandonar a sua especificidade e com detrimento da sua família, na qual ela como mãe, tem um papel insubstituível”. [22]

Quanto ao trabalho do menor, este “não deve entrar na oficina senão quando a sua idade tenha suficientemente desenvolvido nele as forças físicas, intelectuais e morais: do contrário, como uma planta ainda tenra, ver-se-á murchar com um trabalho demasiado precoce, e dar-se-á cabo da sua educação.” [23]

Direitos do trabalhador[editar | editar código-fonte]
Os direitos do trabalhador se baseiam na natureza da pessoa humana e na sua dignidade. O Magistério da Igreja enumera dentre outros: a justa remuneração, direito ao repouso, trabalho em ambiente que não lese a sua saúde e a integridade moral, respeito à sua consciência, auxílios aos desempregados e suas famílias, direito a aposentadoria e pensão nos casos de doença, direito a auxílios e benefícios sociais no caso da maternidade, direito de reunião e associação.

O acordo entre patrão e empregado não é suficiente para legitimar o quantum da remuneração, ela deve ser suficiente para um sustento digno do trabalhador e da sua família, as leis de mercado não são suficientes para atender a esta condição de justiça, o direito natural antecede ao direito de contratar. Se for necessário, cabe ao Estado fixar um valor mínimo para as diversas circunstâncias em que a remuneração do trabalho é devida.

A greve é reconhecida pela doutrina social como instrumento legítimo, como último recurso e inevitável e até necessário em vista de um benefício proporcionado, desde que todos os outros recursos se tenham levado a efeito para evitar o conflito. A greve legítima, como justo instrumento de pressão contra os empregadores, contra o Estado e até como meio de pressionar a opinião pública, há de ser sempre pacífica, e perde a sua legitimidade se a ela é associada a violência ou quando lhe é atribuído outro fim que não as condições de trabalho ou contrários ao bem comum.

Os sindicatos' devem ser instrumentos de solidariedade entre os trabalhadores e são um fator construtivo da ordem social. A ação sindical deve ser voltada para o bem comum. Não se admite o ódio de classes e luta para a eliminação de outrem. Trabalho e capital são indispensáveis para o processo de produção. A doutrina social não pensa que os sindicatos sejam somente o reflexo de uma estrutura de classe da sociedade, como não pensa que eles sejam o expoente de uma luta de classe, que inevitavelmente governe a vida social. (Laborem exercens)

O papel específico do sindicato é o de garantir os justos direitos dos homens do trabalho no quadro do bem comum de toda a sociedade, num empenhamento normal das pessoas em busca do justo bem, não devem se vincular a partidos políticos e nem se envolver na luta pelo poder político, para não se transformarem em instrumentos para outros fins que a solidariedade entre os trabalhadores. Novas formas de solidariedade devem ser criadas de modo a amparar os trabalhadores que se encontram em situação de trabalho novas, decorrentes dos problemas e possibilidades dos tempos atuais, e não se enquadram nas formas tradicionais e antigas de emprego da grande indústria ou da grande empresa.

As novidades e as oportunidades que surgem com a globalização não podem implicar em violações dos direitos inalienáveis do homem que trabalha. A dignidade do trabalho deve ser tutelada sempre. A globalização tem aspectos positivos que devem ser valorados e resulta da natural tendência do homem de se relacionar com o outro homem. Com a globalização e a evolução da técnica surge a oportunidade para todos de "dar expressão a um humanismo do trabalho em âmbito planetário".

Economia[editar | editar código-fonte]
À luz da Revelação a atividade econômica deve ser vista como uma forma de coparticipação do homem na Criação. É uma questão de justiça consigo mesmo e como próximo a adequada administração dos próprios dons e bens materiais. O progresso material e a atividade econômica deve ser colocada a serviço dos demais e da sociedade. As riquezas existem para ser partilhadas com os demais. "Quem tem as riquezas somente para si não é inocente; dar a quem tem necessidade significa pagar um débito." [24]

Há uma relação entre moral e economia, Pio XI na encíclica Quadragesimo anno afirma que é um erro considerar que a atividade econômica está desvinculada dos princípios morais que regem a atividade humana. A riqueza, a economia não é um fim em si mesma e nem último fim e razão de ser da existência, ela se destina à produção, distribuição e consumo de bens e serviços, com vistas ao bem do homem e de toda a sociedade para a promoção de um desenvolvimento solidário da humanidade. As chamadas estruturas de pecado são construídas com muitos atos concretos e individuais de egoísmo humano.


A Caridade, virtude teologal
Igreja de N. Senhora, Trondheim, Noruega.
A concórdia é fruto da virtude da caridade.
A virtude da caridade é a base da concórdia entre os homens.

A doutrina social admite uma economia de mercado ou economia livre numa perspectiva de desenvolvimento integral e solidário, mas se por capitalismo se entende que a liberdade na economia não está balizada por um sólido sistema jurídico que a coloque a serviço da liberdade humana integral, a resposta é negativa. A atividade econômica está submetida não só às suas próprias regras mas também as da moral e da ética.

Iniciativa privada[editar | editar código-fonte]
Considera esta doutrina que liberdade da pessoa humana no campo econômico é um valor fundamental e um direito inalienável a ser promovido e tutelado. Por outro lado, "A empresa não pode ser considerada apenas como uma 'sociedade de capitais'; é simultaneamente uma 'sociedade de pessoas', da qual fazem parte, de modo diverso e com específicas responsabilidades, quer aqueles que fornecem o capital necessário para a sua atividade, quer aqueles que colaboram com o seu trabalho." (João Paulo II) [25]

A doutrina social reconhece a justa função do lucro, mas o lucro por si só não indica que a empresa esteja servindo adequadamente à sociedade, não é lícito obter o lucro à custa da dignidade do trabalhador, da sua humilhação e da violação dos seus direitos. Mesmo nas relações internacionais a prática da usura permanece condenada e merecem reprovação os "sistemas financeiros abusivos e usurários" tanto no âmbito das economias nacionais como internacionais.

'Os trabalhadores que atuam na empresa constituem o seu patrimônio mais precioso' (Centesimus annus, 35), nas grandes decisões estratégicas e financeiras da empresa, de compra e venda, abertura e fechamento de filiais não é lícito decidir tendo por base apenas os interesses do capital sem olhar a dignidade dos que nela trabalham. Devem organizar a atividade na empresa de modo a favorecer e promover a família do trabalhador, especialmente as mães de família.

Instituições econômicas[editar | editar código-fonte]
O livre mercado
Sendo os recursos existentes na natureza finitos devem ser empregados de forma racional e econômica. A DSI considera que o livre mercado socialmente importante pela capacidade que possui de permitir uma eficiente produção de bens e serviços. A concorrência é eficaz para alcançar objetivos importantes como moderar os excessos de lucros, atender às exigências de consumidores por exemplo e incentivar a criatividade e inovação na economia.

Entretanto o benefício individual do operador, embora legítimo, não é o único objetivo e nem o mais importante ele deve ser obtido num contexto de utilidade social. O livre mercado somente alcança a sua legitimidade quando ancorado nas finalidades morais e éticas que o norteiam.


A Justiça
Detalhe de afresco no Vaticano - Stanza della Segnatura) por Rafael, 1508
"A liberdade econômica é apenas um elemento da liberdade humana. Quando aquela se torna autônoma, isto é, quando o homem é visto mais como um produtor ou um consumidor de bens do que como um sujeito que produz e consome para viver, então ela perde a sua necessária relação com a pessoa humana e acaba por a alienar e oprimir." [26]

Bento XVI ensina que "A Doutrina Social Católica sustentou sempre que a distribuição equitativa dos bens é prioritária. O proveito é legítimo naturalmente e, na justa medida necessário para o desenvolvimento econômico." Recorda neste sentido as palavras de João Paulo II na encíclica Centesimus Annus: "A moderna economia de empresa comporta aspectos positivos, cuja raiz é a liberdade da pessoa, que se expressa no campo econômico como em outros tantos campos", acrescentando que "o capitalismo não é o único modelo válido de organização econômica." [27]

O Estado
Por outro lado os poderes públicos ao agirem devem conformar a sua atuação de acordo com o princípio da subsidiariedade para criar condições que facilitem o livre exercício da atividade econômica que deve atender por sua vez aos princípios da solidariedade. Cabe ainda ao Estado estabelecer limites de modo que a parte mais fraca não seja prejudicada pelos economicamente mais fortes.

Deve haver uma complementariedade entre o Estado e o mercado de modo que aqueles bens necessários que o mercado por sua atuação natural não possa fornecer seja fornecidos pela ação estatal. O Estado deve, porém, abster-se de uma intervenção abusiva que possa condicionar indevidamente a ação das forças empresariais. A intervenção pública quando necessária deve ater-se aos critérios de equidade, racionalidade, e eficiência e não deve suprimir a liberdade de iniciativa dos indivíduos.

A imposição de tributos deve ser racional, deve haver rigor e integridade na administração e na destinação dos recursos públicos. Na distribuição das riquezas os poderes públicos devem observar os princípios da solidariedade, da igualdade, da valorização dos talentos e em especial ao amparo das famílias.

Os corpos sociais intermédios
Esta doutrina sustenta também que as atividades de voluntariado e as entidades sem fins lucrativos devem ter um espaço específico na sua área de atuação. A sociedade civil, ao lado do mercado e do Estado é capaz de prestar a sua colaboração de modo eficaz pelos seus corpos intermédios, neste contexto a intervenção do Estado deve ser feita no respeito e na promoção da dignidade e da autonomia destes corpos intermédios em homenagem ao "princípio da subsidiariedade".

Consumidores
O consumo deve ser exercido sem esquecer o dever da caridade, há a obrigação de aportar com o "supérfluo" e às vezes com o "necessário" para garantir a vida ao pobre com o indispensável a uma vida digna. Os consumidores são chamados a preferir os produtos das empresas não só pelo critério do preço e da sua qualidade, mas também levando em conta a existência de adequadas condições de trabalho nesses estabelecimentos bem como o grau de respeito que tem com relação ao meio ambiente natural.

Os consumidores são convidados também, a evitar o fenômeno do consumismo e a evitar as necessidades artificialmente criadas que dificultam e até mesmo impedem o crescimento e a formação de uma personalidade amadurecida.

Outros princípios[editar | editar código-fonte]
São outros princípios em que se baseia a Doutrina Social da Igreja:

A liberdade da pessoa, o valor da liberdade e os seus limites e o seu vínculo com a verdade e a lei natural; a inviolabilidade e inalienabilidade dos direitos humanos, cuja fonte não se situa na vontade dos homens e nem na realidade do Estado ou nos poderes públicos, mas no próprio homem e na Lei Natural, do que decorre a sua inderrogabilidade, neles se situa em primeiro lugar, o direito à vida desde a sua concepção ao seu fim natural e o da complementariedade entre direitos e deveres e a sua correlação respectiva.

E ainda: A primazia do bem comum sobre o interesse particular, o valor da família e a indissolubilidade do vínculo matrimonial, liberdade de educação dos filhos pelos pais, a liberdade religiosa, superioridade e prevalência do trabalhador sobre o capital, trabalho como valor que dignifica o ser humano, do que decorre o direito ao salário justo, princípio da autoridade como finalidade para servir ao bem comum, autonomia dos grupos intermédios, princípio da subsidiariedade e ação social supletiva do Estado, princípio da destinação universal dos bens e o direito da propriedade privada limitado pela justiça e pelo bem comum,

Documentos[editar | editar código-fonte]
Os principais documentos da Igreja em que se funda a sua Doutrina Social, dentre muitos outros documentos e alocuções dos Papas são de:

Papa Pio IX: Qui pluribus, 1846 e Quanta cura, 1864.
Papa Leão XIII: Rerum Novarum ("Das coisas novas" - Sobre a Situação dos Trabalhadores - crítica aos materialismos comunista e capitalista), 1891, Imortale Dei e Quod apostolici muneris, 1878.
Papa Bento XV: Ad Beatissimi, 1914.
Papa Pio XI: Quadragesimo Anno ("No quadragésimo ano" - Sobre a Reconstrução da Ordem Social), 1931; Divini Redemptoris (Condenação do comunismo), 1937; Non abbiamo bisogno (Condenação do Fascismo) e Mit brennender Sorge (Condenação do Nazismo), 1937.
Papa Pio XII: Fidei Donum, 1957 e Ad apostolorum principis.
Papa João XXIII: Mater et Magistra ( "Mãe e Mestra" - Cristianismo e Progresso Social), 1961 e Pacem in Terris (Paz na Terra), 1963.
Concílio Vaticano II: Gaudium et Spes ("Alegria e Esperança" - A Igreja no Mundo Atual), 1965.
Papa Paulo VI: Populorum Progressio ("O progresso dos povos" - Sobre o Desenvolvimento dos Povos), 1967; Octogesima Adveniens ( "Chegando a octogésima" - Convocação à Ação), 1967; Sínodo dos Bispos: A Justiça no Mundo, 1967; Humanae Vitae, 1968 e Evangelii Nuntiandi ("O Evangelho a anunciar" - A Evangelização no Mundo Atual), 1975.
Papa João Paulo II: Redemptor Hominis (O Redentor da Humanidade), 1979; Laborem Exercens (Sobre o Trabalho Humano), 1981; Sollicitudo Rei Socialis (A Solicitude Social da Igreja), 1987; Centesimus Annus (O Ano Centenário), 1991; Tertio Millenio Adveniente (O Ano Jubilar 2000), 1994 e Evangelium Vitae (O Evangelho da Vida), 1995.
Carta dos Direitos da Família, Vaticano: Tipografia Poliglota Vaticana, 1983.
Papa Bento XVI: Deus Caritas Est, 2005; Caritas in Veritate, 2009.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Doutrina_Social_da_Igreja
J B Pereira e https://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Andr%C3%A9 e http://www.adorocinema.com/filmes/filme-226244/trailer-19555455/
Enviado por J B Pereira em 29/08/2017
Reeditado em 29/08/2017
Código do texto: T6098779
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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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J B Pereira