AINDA ESTOU AQUI, AINDA ESTOU “ASSIM”

 

Ainda estou aqui

Pelo que ainda estou “assim”

Perturbado e demasiadamente preocupado

Sem saber o que virá ou [mesmo] o que será ... de mim

 

E nest’hora [escura e fria] rogo a Deus, onde a Ele imploro:

Tem piedade compaixão de mim

Tem misericórdia de minha vida

 

 

Ainda estou aqui

Na insistência de dizer que por isso estou “assim”:

Angustiado e triste

Qual moribundo a escutar os ecos de meus últimos alentos

neste mundo

Do tempo a estar [para mim] como a se encerrar

Oh! E não será?

Ou da vida que talvez de mim s'esconderá

Ao que não mais, então, a verei

 

Ainda estou aqui

Ainda ... sim

Ainda

É verdade

E d’aurora do dia anterior que co’alegria [a] contemplei,

não a vejo no presente dia

Que pena!

Pelo que já não sinto [comigo] o sabor de minha antiga glória

Nem ouço mais os alaridos que recebia outrora

 

Oh, quão poderoso eu acreditava que era!

Mas não ...

Definitivamente esqueci que um rei não será para sempre ... rei

Onde foi, certamente, meu maior engodo nesta vida em que

nela tanto errei

 

 

E se eu dissesse que o medo não me apodera [agora] decerto que

mentindo estaria

De meu coração a bater em meu peito (agoniado e aflito)

Ao que neste momento sinto

Consumido a qu’está de desolação e tristura

Pelo que desesperançado em tal grau me acho

Como que a perguntar:

Quem me visitará no calabouço ond’estarei?

Haverá alguém?

E seu hoje eu morrer quem me atirará [depois] flores sobre minha cova?

Ou serei [por todos] esquecido também?

 

E mais uma vez eu digo:

Por enquanto, “ainda estou aqui” [no mundo]

E ainda estou “assim” [no tempo que me resta]:

Desalentado e profundamente melancólico, abatido e prostrado

Em razão da culpa a me cobrar nest’hora pelo qu’eu fiz de minha própria vida

Chorando minhas perdas, sem ninguém a me consolar [de minha dor]

E, muito menos, dela me libertar

Aliás, "liberdade" seráé uma palavra que, com certeza, seu significado não

mais saberei

 

Sim, ainda estou ... aqui

E ainda estou “assim”

Sufocado de amargura e afogo neste meu escuro calvário

Torturado pela nefasta e antiga ilusão de que soberano para sempre seria

Ao qu’eu jurava (pelo que tolamente acreditava] que de meu trono

ninguém me tiraria           

Todavia, perdi

E por isso ... ainda estou aqui ... na fossa

 

 

31 de março de 2025

 

IMAGENS: INTERNET

 

Paulo da Cruz Gomide
Enviado por Paulo da Cruz Gomide em 31/03/2025
Reeditado em 31/03/2025
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