A coragem que me habita

A coragem que me habita

Anos se passaram, e um cheiro específico me adentrou:

o leite com café e a manta que caía sobre mim,

aquela que eu não largava.

Era você me protegendo,

a criança esquecida de um mal de amor

que passou pela sua vida,

e, ainda assim, me abraçou.

Com sua bola de basquete, queria brincar,

nem sempre podia—era parte de você.

E eu, pequena, vigiava os dias que varavam noites,

presente em seu zelo,

na sua proteção, no cuidado com meus dentinhos,

na preocupação com a escola,

no que o destino haveria de me revelar.

A praia era o acalento das emoções.

Eu temia entrar no mar,

a criança faladeira, revestida de coragem,

só ousava mergulhar se fosse em seus braços.

Foi você que me ensinou a coragem:

no meio do caminho, soltou minha mão,

me fez seguir sozinha,

e, assim, me entreguei ao mar.

Hoje sei—todos os meus momentos de medo

foram silenciados por você.

Seja mar, seja montanha-russa, seja penhasco,

era você.

Minha coragem de continuar tem um pouco de você.