ANISTIA...? (Intertextualidade)
ANISTIA...?
“como beber dessa bebida amarga?”
Meu coração ainda sangra,
O meu peito ainda dói;
A ferida que corrói, faz gritar o silêncio daqueles sufocados, que ambicionam por um tempo de menos desigualdade.
A maldade dos que se julgam donos da verdade, faz o estampido do fuzil, suave melodia;
Para quem sabe um dia não precisar gritar:
SEM ANISTIA, SEM ANISTIA, SEM ANISTIA!
Mas aí um poeta me falou:
“E se eu quiser falar com Deus...”
Mas como? Como? Como?
Se o que ainda somo, nada mais é do que a sobra do resto do meu inconsciente;
Ciente dos fatos, os atos que pratico demonstram o quanto ainda sou tão fraco;
E por ser assim, eu rezo.
Rezo a cartilha que repito o todo conflito de não saber perdoar.
A dor, o ardor, o ar que respiro, não me faz perceber que aquele que firo, possa ser o mesmo a quem me refiro;
Que outrora fora ferido, e hoje fere.
E o que difere?
“Nada, nada, nada, nada.”
E nessa disparada, dispara o gatilho da auto cusparada, no meu quarto escuro que me diz:
Para, para, para, para!
Para onde com isso é que vou?
Se sei que não sou, o que agora estou.
Se por ora ainda não ouço o som do surdo que ecoa dentro de mim;
Quando outorgo a sentença ao próximo, sem dar conta do espelho embasado, encoberto por um roto cetim.
“Pai, afaste de mim esse cálice”
Porque ainda não aprendi o direito de calar.
PEDRO FERREIRA SANTOS (PETRUS)
30/03/25
Texto criado um dia após ao show do grande Gilberto Gil.