PLATÔNICA
Te conheci numa tarde tépida, cheiro de terra molhada
lá fora uma chuva ...chuvarada
olhos de mirtilos maduros adornando o fogo em teus cabelos
um sorriso , contagio inebriante
minha face acalorada
teu jeito ...meu peito
em profusão
mãos , toda anatomia estagnada...
foi amor a primeira vista ou um turbilhão no coração ..só a brincar ...
trançar minha alma
em cruel falta de respeito?
ou vultuosa chama?
fazer o que...se foi assim ... eu estou tão cansada ...enfim...
me apego em pedaços , me farto
em regaços
que zombam de mim
sentimento que grudou, colou na mente
não traz nada...só dor
me desatina os dias ...indecente
me comisera as noites
se enrosca afoita
em meus confins...de amor
minha sensibilidade permite ...insiste
que sonhos loucos invadam teus espaços
arrebentem artérias , laços
Emaranhada teia
tu enredastes em mim
é de ti meu cálice vadio
são poucas gotas , néctar doce
fluem do teu corpo...borboletas
do meu estômago é que elas querem fugir?
quando te vejo ... é assim...
perco postura, arrebanho espadas
gritam gargantas num quase suspiro
entrecortado , machucado nestas letras