O Outono Sou Eu
Nasci quando o vento mudava de tom, quando as folhas dançavam sem medo do chão.
Trago no peito esse ar de estação, metade renovo, metade saudade em vão.
Carrego o fogo que a vida me deu, mas deixo cair o que já não me veste.
Sou brisa que afaga, sou raio que fere, sou Outono inteiro, intenso e agreste.
Não vim para ser brisa que passa esquecida, nem sombra que teme a própria cor.
Se sou Outono, sou queda e renascimento, sou o frio que embala, sou chama e calor.
Que venha mais um ciclo, que venham os ventos,
que a vida me sopre pra onde quiser.
Mas nunca serei folha presa no tempo, sou raiz que resiste, sou alma em maré!
Eti Bittencourt