ROMA EM MILÊNIOS
Três ou quatro estampidos
A rua se alumia, resplandece
Um estrondo e um átimo
Salpica e enternece
Salta a lua e se apaga.
É o pejo da insuficiência
Da penúria, traças almiscaradas
Deleite à apupada plateia
Que regozija, permeia, passa e incendeia...
No coração do poeta, pari a lua cheia
Centenária, descoberta e altaneira
Sem sombra, sem sobra, uma pederneira.
A lançar denso estalido
Um aceno ao ódio mesquinho
De talo enfezado, sob a ceifa da parda.
A solidão ladra, gela, enlameia, parva e ignóbil sorrateira.
Respira baixinho ao alcatraz em voo
As núpcias do holocausto, o vexame da beleza.
Ei-lo, renascido, profundo e devasso amor.