ESCOMBROS
Inúmeras vezes, o mundo desabou,
mas sigo emergindo dos escombros.
Sempre descubro que o fim
ainda não é o fim.
Novos arranhões, escoriações,
já desisti de contar as cicatrizes.
Apenas remendo os cortes
e deixo o sangue jorrar.
O mundo sempre acabando,
no céu, há sempre temporal,
o sol nunca brilha.
Uso escudo, lanço flechas,
ocupada demais em sobreviver.
Pobre de mim,
perecendo nesse deserto,
sem nenhum amor por perto.
Depois de tantos naufrágios,
perdi o medo de nadar.
Após tantas guerras,
adquiri a resiliência
de tentar mais uma vez.
Não sei ao certo o futuro,
mas estou cada vez mais perto de chegar.
E, por enquanto,
uma esperança me basta.