Transitório
Flutuo com o vento no bailar suave da existência. Entre tempos e contratempos, sou o meio.
A paralisia da aurora empurra minha mente ao caos, enquanto a tranquila perturbação do devir me assombra.
Move-se a vida, estaticamente — complexa, profunda, contraditória! A cada respiração, adoro a Deus... e negocio com o Diabo.
Paixões, pulsões, tensões... Já é quase Páscoa — estou prestes a morrer, quase a ressuscitar.
Meu agora é nunca; meu eternamente, jamais. Minha força é fraqueza entre tantos carnavais.
Quando eu me for, hei de ficar mais um pouco. Quando eu partir, encontre-me aqui. Prometo deixar pistas no caminho.