TIÃO MINEIRO

Nasci em Ouro Fino, mas bem cedo me mudei...

Vim pro norte do Paraná com minha mãe e os tios também

O meu pai morreu tão cedo, quando eu tinha só 2 anos

Lá em Minas Gerais pouco tempo moramos

Foi numa viagem de trem que nos trouxe para cá

Refizemos a esperança quando café fomos plantar

Mas nossa alegria durou pouco, depois que a geada chegou

Matou toda a plantação e a esperança ceifou

Consegui emprego no Comercio, aprendi um novo ofício

Fui vendedor na Casa Marília, para ser bem preciso

Foi em Indianópolis que comecei tudo de novo

Com 16 anos, secos e molhados, vendia de tudo

Vendia anzóis, panela de alumínio, ferramentas

Também chumbo, espoleta e pólvora

Uísque, ferro e até lima

E a maioria das conduções eram carroças

Vendia pinga Tatuzinho, Oncinha,

e Ypióca que vinha em saco de estopa

Também tinha a "Praianinha"

E pesava arroz pros senhores e as moças

Passou-se o tempo, também vendi móveis novos

E também tentei carreira em escritório de Contabilidade

Fui escrivão de livros Modelo quatro a Modelo sete

Nessa fase eu já tinha mais idade

Aprendi o ofício de relojoeiro lá no Norte

Por apostilas da "Dimas de Melo Pimenta"

Comprei de Ciro (juiz) por 20 mil reis

Dinheiro de comprar um Lote

Trabalhei 1 ano e meio como fotógrafo pra pagar uma dívida

Mas quitei a dívida, pois Ciro me ajudou

E fui ser representante do Atelier de Pinturas Finas

Ciro foi o pai que não tive, pois tanto de mim cuidou

Depois vim pra Curitiba, capital do Paraná

Viajei com a mãe e os irmãos, cada um foi pra um lugar

Trabalhei de novo em roça, depois fui fazer asfalto

Fui vigia de fornalha e com madeira o fogo alimentava

Mas o calor era tão forte

Às vezes dava um "cochilão"

Então pedi pra sair

E pro meu chefe "Baiano" dei "quinhentão"

De Curitiba até a divisa de São Paulo

Trabalhei na Casa Grande, uma pedreira

Vi muito acidente com morte na estrada

Fui apontador de caçamba de pedra e fiz até o que não queria

Com bandeira vermelha de ferro, eu parava o trânsito

Andava no alto das pedreiras com caixa de 10kg de explosivo

Eu é quem fazia, porque não encontrava ninguém

Em 1969 a Empresa não pagou mais o salário e encerrou de vez

Voltei pra Curitiba em janeiro do ano seguinte

Eu queria muito trabalhar, então pra lavoura resolvi voltar

Resolvi tornar-me relojoeiro

E em Quatro Barras fui morar

Como empreendedor, minha vida começou a melhorar

Fui sócio com um amigo e até dinheiro consegui juntar

Pensei em me casar e pela rádio conheci uma prenda

Trocamos muitas cartas e resolvemos nos encontrar

Levei aliança de noivado assim que nos encontramos

Fiz o gosto do pai dela logo de cara

E na viagem seguinte, já nos casamos

Do Rio Grande do Sul pro Paraná nos mudamos

Tivemos três filhos, um rapaz e duas moças

Aqui a minha vida fiz, renovei as esperanças

Mas saudades ainda tenho da minha mãe e dos meus tios

Também saudade tenho amigos que eu fiz nas minhas andanças

Hoje, cheio de anos vividos, com alegria eu revivo

Todos os anos trabalhados, todo esse saudosismo

Mas agradeço meu Deus por ter vencido com esmero

Pois hoje posso gozar com alegria os filhos e os netos!

Nem tudo foi como eu gostaria

Muitas dificuldades, injustiças e lutas

Mas o bem mais precioso conquistei

O amor da minha família a quem sempre me dediquei

Muitos queridos já partiram

E sinto que minha missão completei

Agradeço a Deus pela vida

E por tudo o que Ele me fez!