O Poder da Lucidez
No segundo plano da imaginação eu sei que estou aumentando tudo de forma fantasiosa, vendo na sua simpatia e solicitude um sentimento que provavelmente não existe, mas no primeiro plano eu reúno todas as minhas forças para deixar os cenários que inventei onde eles pertencem: no sonho. Não merecem a lembrança, dado seu risco de vazar e embotar minhas palavras, minhas expressões, minhas atitudes, até que as delícias da lembrança, incapaz de serem moderadas devido a impertinência da expectativa, me leve à cegueira da insensatez. Assim, vejo tudo por uma luz que me permite enxergar que fui brando quando seus modos amáveis me atingiam nos pontos mais sensíveis, que mantive a compostura enquanto seu timbre ressoava nas câmaras mais profundas do recôndito da minha alma, que fui indiferente enquanto seu sorriso cativava todo o meu corpo a desejar sua presença de modo a se banhar em cada nuance do seu temperamento. Cedo ou tarde, essas lembranças terão se dissipado, pois muito ainda meu coração há de testemunhar, mas permanecer sóbrio diante de tamanhos eventos à nível do espirito é o que há de me proteger das desgraças de confrontar com o fato de que nada disso tem substância real.