VOCÊ AMA A VERDADE?
“Sempre acabamos adquirindo o rosto das nossas verdades”
(Albert Camus)
E eis que leio agora as palavras d’aquele grande sábio:
“As palavras verdadeiras não são agradáveis e as agradáveis não
... são verdadeiras” (Lao-Tsé)
Estaria ele certo ...
ou “nem todas as verdades são para todos os ouvidos”,
onde assim afirmou o incrível Umberto Eco?
Quem fala a verdade ... não fala mal
Ao que desta forma penso
Só fala ... a verdade
Quem ouve a verdade, oh! por que, às vezes, se sente tão mal?
Sim! Por que a rejeita?
E quem vê e escuta com clareza a que, em tudo na vida, se creia
... a que seus olhos e ouvidos iludidos não estejam?
Não somente as alheias vozes, contudo suas próprias
Sim, pergunte a si mesmo:
“Qual é a minha maior e mais amada ... verdade?”
Ah! O mundo inteiro que tanto nos engana
Na vista que s’embaça pelas mentiras que se veem
Mas que aos nossos olhos se disfarçam
Oh! Que tempo mais traiçoeiro, meu Deus!
Tecido de nefastas ilusões a fazer perder nossas almas
(E também, d’aqui, o nosso precioso tempo)
A verdade!
Quantas vezes pregada fora nas cruzes do mundo!
Seus crucificadores seriam, quiçá, amantes ou adoradores
... da mentira?
Quem sabe?!
Oh! Certamente causa dó – aos olhos da Verdade – ver os filhos
... do mundo s’entregarem aos encantos das mentirosas vozes
E, destarte, trocam o ouro pelo estrume
No que será, pois, a inevitável consequência do qu'então fizeram
Haveria perdão pelos erros de cálculo aos movimentos da vontade?
Não, ninguém erra sem a consciência do que faz
(Quando, propositalmente, se recusa a estar do lado da verdade, é claro)
Todavia, ainda que se ampare por qualquer argumento, eis que
... a Justiça o repreende ou o castiga gravemente
Quem a Verdade o tempo inteiro em sua vida amou?
E quem deu suas costas – e sempre - a todas as mentiras ...
(em tal grau sedutoras)?
Seria a implacável palavra que corrige ”verdadeiramente” em su’essência?
E seria por todo o tempo amada a verdade que instrui?
E a verdade, existiria sem o amor?
Quem a pode dizer sem que o outro ofendido não se sinta?
E, por que sentido ou ultrajado se achou?
Seria por ignorância ou, talvez, por orgulho?
Ah! Se a verdade (dita ou pronunciada) despida estava de amor
... não com ela se fez justiça
Ou se fez pel'ação no movimento do que foi dita?!
Então, não se trataria somente em “dizer” a verdade,
... mas, sim, em “como” dizê-la?
E como Deus a seus filhos a dirá? (Ou mesmo aqui diz?)
Da mesma forma que nós?
Mas a ela - a"verdade" - Ele disse por intermédio de Seu Filho
E todos sabem "o final da estória"
Mas em função Dele se deu o início de nossa nova história
Existirá uma “meia-verdade”?
Ao que me pergunto agora
A justiça (por ser honrada e reta) ... é sempre “verdadeira”, então?
(Onde, se injusta fosse, mentirosa, portanto, seria?!)
A beleza (por ser admirável) ... é sempre “verdadeira”?
(No que a ninguém iludiria por suas formas?)
A piedade (por ser compassiva) ... seria em seu ato sempre
... “verdadeira”?
A humildade (por ser despojada e modesta) ... seria, portanto,
... “verdadeira”?
A mansidão (por ser equilibrada) ... seria, por isso, “verdadeira”?
Sim, em todo o tempo tudo acima seria real (verdadeiro)?
Ou oculto, por vezes, s’estaria sob a máscara da hipocrisia ou
... d’algum interess’egoísta?
Então é certo dizer o que já se sabe:
Nem tudo o parece, "realmente" ... é
Oh! Quantos atuam no palco do mundo somente em busca de aplausos!
Sob os olhos d’uma ingênua plateia a qual só enxerga os personagens
Todavia, não vê ... os atores
E com eles confundem seus olhos
Ou, melhor se diria: não querem ver quem são "realmente"
E por sua ignorância os idolatram e adoram
Estaria a dormir a verdade no âmago da terra, mas que em “seu
... tempo” então germinará?
E como será o mundo a partir d’então?
Seria, a partir deste dia, a alvorada das bem-aventuranças
... anunciadas no sermão do monte?
Noit’escura e tão longa!
E nela a se ouvirem só mentirosas palavras
Quem anseio do "novo dia" o teria (do sagrado “dia da verdade”)?
E quem gostaria de ouvir apenas “palavras verdadeiras”?
E em nome da verdade (a ser irmã gêmea do amor) ninguém, pois,
feriria ninguém
Gloriosa Verdade a se despontar n’horizonte um dia (que ninguém conhece sua data)
Mas que, hoje, só os puros de coração aqui a contemplam
Quem sabe, visto que a amam (e, assim, dela são dignos)
E, portanto, fica a pergunta para cad’um:
“Você ama ... a Verdade? ”
25 de março de 2025
IMAGENS: FOTOS REGISTRADAS POR CELULAR