"Equilibrista da Vida"

"Equilibrista da Vida"

Viver é trilhar uma linha incerta,

onde o tempo borda sombras no ar,

entre o ontem que se esvai em névoa deserta

e o amanhã que reluz sem se revelar.

Cada passo é um fio de destino trançado,

ora firme, ora tênue sob pés vacilantes.

No peito, a esperança de um céu estrelado;

nas mãos, a vertigem de instantes errantes.

O "para sempre" sussurra promessas douradas,

mas o vento, caprichoso, as leva sem dó.

O "nunca mais" pinta tardes nubladas,

onde a saudade repousa em seu pó.

E seguimos, alma inquieta e coração pulsante,

bailarinos da dúvida, prisioneiros do agora.

No abismo do medo, um sonho distante;

no sopro do tempo, o amor que demora.

A corda bamba é feita de silêncio e espera,

de gestos contidos e passos ousados.

Quem fecha os olhos e apenas tolera

perde a dança dos dias encantados.

Mas há quem ande, apesar do receio,

quem ouse amar sem rede ou proteção.

Pois viver é lançar-se sem roteiro,

abraçando o caos em pura emoção.

No fim, nada é eterno e tudo é instante,

somos pólen ao vento, luz que se apaga.

E se há um segredo nesse fio vibrante,

é que o amor é a única coisa que embala.

Então, dança, equilibrista da existência,

pois a vida é vertigem, sopro e fulgor.

Que a incerteza seja tua ciência,

e a coragem, teu passo condutor.

Direitos autorais reservados Autora/Escritora/ Devidamente registrado no Recanto das Letras.

Rô Montano__________ ✍

Rô Montano
Enviado por Rô Montano em 24/03/2025
Código do texto: T8293458
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