"Equilibrista da Vida"
"Equilibrista da Vida"
Viver é trilhar uma linha incerta,
onde o tempo borda sombras no ar,
entre o ontem que se esvai em névoa deserta
e o amanhã que reluz sem se revelar.
Cada passo é um fio de destino trançado,
ora firme, ora tênue sob pés vacilantes.
No peito, a esperança de um céu estrelado;
nas mãos, a vertigem de instantes errantes.
O "para sempre" sussurra promessas douradas,
mas o vento, caprichoso, as leva sem dó.
O "nunca mais" pinta tardes nubladas,
onde a saudade repousa em seu pó.
E seguimos, alma inquieta e coração pulsante,
bailarinos da dúvida, prisioneiros do agora.
No abismo do medo, um sonho distante;
no sopro do tempo, o amor que demora.
A corda bamba é feita de silêncio e espera,
de gestos contidos e passos ousados.
Quem fecha os olhos e apenas tolera
perde a dança dos dias encantados.
Mas há quem ande, apesar do receio,
quem ouse amar sem rede ou proteção.
Pois viver é lançar-se sem roteiro,
abraçando o caos em pura emoção.
No fim, nada é eterno e tudo é instante,
somos pólen ao vento, luz que se apaga.
E se há um segredo nesse fio vibrante,
é que o amor é a única coisa que embala.
Então, dança, equilibrista da existência,
pois a vida é vertigem, sopro e fulgor.
Que a incerteza seja tua ciência,
e a coragem, teu passo condutor.
Direitos autorais reservados Autora/Escritora/ Devidamente registrado no Recanto das Letras.
Rô Montano__________ ✍