RENASCENTE

Abriu os olhos rapidamente, como se houvesse urgência em despertar. Levantou-se. Caminhou até o espelho. Fitou-se, a princípio, de modo corriqueiro. Depois, acostumando-se com o que via, feito quem descobre a si mesma, encarou-se. Arriscou um sorriso tímido e breve. Desviou o olhar. Receosa, afastou-se. No entanto, a sensação de ver-se pela primeira vez em toda a sua vida, fê-la volver-se ao espelho. Um minuto sem piscar, embora os seus olhos ardessem, banhados por lágrimas há anos guardadas. Rompeu a fortaleza do medo ao abrir seu forte sorriso. Sal e dentes mesclados à potência daquele despertar. Sentiu-se irradiante – a liberdade de saber que, finalmente, se amava. A tão sonhada paz de renascer em seu corpo lar. O êxtase de entender que paria a si mesma. A escuridão que complementa a luz quando se aprende a brilhar.

PS: Texto selecionado para o livro de antologia poética "Poemas de Encanto", organizada pela Artes do Multiverso, e disponível no site Uiclap.