As Flores de Diana
Escutava a cítara longínqua de Febo quando te encontrei, Diana. Era Febo um irmão querido, tendo eu havido, por longo período, peregrinado sob a sua sombra.
Naquela noite, Diana, fez-se um chamado forte — não sei se da terra ou do mar — que me fez vaguear pela floresta, com sede mui tonta. Meu rosto, queimado com vinho, e minhas mãos trêmulas; eu tropeçava sob a trama de pérolas do céu noturno.
Eu avançava. O bocejo lânguido das flores [também o farfalho das plantas] abria-me o espírito, e com hálito insólito tocava-me a boca. Dei por conta, enfim, que adormeci no teu jardim.
Quando acordei, vi na tua face — tão bela! — o piscar dos teus nobres olhos, escuros como lírios venenosos. Tua compleição, tão mélica, benquista donzela, era turvada pelo lampejo cálido da Lua. A Lua sobre a tua cabeça era um nimbo: alva, solene e serena. As duas eram uma.
Com um murmúrio plácido, pousaste no meu rosto tua mão lívida. Lembraste, Diana?
Ó, suserana! Tu que és da flecha o conto e a ponta, a presa e o predador, a loba e a pomba — beijaste-me a fronte, e então estremeci d’uma emoção arrebatadora, ó Diana.