UM DOCE OLHAR

Um doce olhar anda pelo prado.

Um doce olhar acaricia as coisas do passado.

Tudo é tão belo como naquele tempo?

Ó não!

Que ilusão!

Quanta destruição!

Que decepção!

Efeito do tempo?

As mãos dos homens vão mudando tudo?

Não sei bem, mas tudo vai mudando.

A vida vai se modificando.

Onde está o moinho?

Onde está o ninho?

O ninho do mais belo passarinho?

Me procuro e me encontro escondidinha num cantinho.

Sim, sou eu.

Eu menina.

Tremendo.

De frio?

De medo.

Uma tarde toda escondida.

Ó, vida! Ó, vida!

O tempo passa.

Parece que tudo vira fumaça.

Mas não!

Estendo a mão.

Quero acariciar a menina...

Ela está lacrimejante.

Tem o olhar brilhante.

É uma estrela ali no meio do mato.

Guardei o retrato.

Para toda vida.

No coração.

A menina que se escondia de medo...

Que guardava segredo.

A menina que amava aquele chão.

Com um doce olhar eu me afasto.

Na verdade me arrasto...

Porque dói.

Porque ali eu nasci e nunca morri.

SONIA DELSIN
Enviado por SONIA DELSIN em 18/01/2008
Reeditado em 25/03/2011
Código do texto: T822743
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