A ilusão da Conquista
O dia amanhece, o gelo da água não aquecida pela serpentina, cobre meu corpo com o frio do susto. O desgosto pela manhã, a pressa pelo compromisso, o horário que escapa, e o tempo que se atrasa – outras vidas se refletem ao redor.
O aperto pela conquista ilusória; afinal, qual é o sentido disso? A estação se enche, a multidão se transforma, o relógio avança, o chefe se irrita, o trabalho o chama.
Ao chegar tardio, a opressão se instaura, o veneno escorre. Ao serviço ele recorre, a submissão exala, e o poder lhe fala em tom grave. O medo da perda o leva ao perdão.
Anoitece, e o ciclo recomeça. A consolação inválida pesa, a estação cheia, o passar do tempo monótono, o cansaço que consome o corpo. A luta diária chega ao fim, a madrugada clareia, o banho frio desperta, e o despertador amanhece.