Anoiteceu

No cair da tarde às vezes a solidão parece apunhalar as costas do horizonte; E ele fica sangrando em restos de sol. Atordoado, então puxa curativos de escuro para cobrir a ferida de tristeza e depois, calmamente adormece ouvindo estrelas.

Da janela vejo as luzes nascendo de um parto silencioso; E enfileiradas como num berçário suspenso, exibem a nudez em claridades denunciando as ruas em seus segredos.

Misteriosas são as lonjuras da noite encerradas nas molduras invisíveis do universo.

Pessoas caminham e no relógio os ponteiros demarcam números em circunferência. O tempo é olho gigante e vigilante de todas as mudanças.

Logo virá a madrugada e as canções que a brisa compõe ficam ébrias, desenhadas na imaginária partitura das boemias.

Já viajei em inspirações e sinto o cheiro da pele suave após o banho. Vou para o quarto.

E então das poesias que escorrem pelas frestas do silêncio, a mais bonita é o teu olhar, que tal qual um luar cheio desponta lentamente, trazendo junto um sorriso que cola nos meus lábios na doce ternura de um beijo.

Takinho
Enviado por Takinho em 24/05/2023
Reeditado em 29/12/2023
Código do texto: T7796100
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