A NOITE
Há quem dela se escuse
E até tenha dela medo.
Eu sou louco. Sou?
Eu gosto da noite e é um gosto radical
Queria que só existisse noite,
Mas respeito quem goste do dia.
Qual o motivo pra eu gostar da noite?
Não sei, talvez a escuridão, o silêncio.
Ah, esse silêncio, afago dos poetas.
Não há falas cruzadas nem vai e vem nas ruas,
Não há gritos a toda hora e quando há é desespero,
Pois a noite, como diria meu avô: “É dos invisíveis”.
Então está aí, por isso que gosto da noite.
Sou um poeta de letras menores, sem rima
Não tenho mídia e talvez nem talento
Não tenho nada, não sou nada. Ou sou?
Talvez eu seja alguma coisa, sei lá.
Quem sabe fui um rei no passado
Se fui não lembro. Quem sabe tenha sido...
Sei lá! Talvez eu seja apenas uma incógnita
Ou um grande vazio, invisível.
JOEL MARINHO