Reconstruindo

A manhã vestiu-se de incertezas

e salgadas são as gotas de orvalho, que encharcam velhos assoalhos

destruindo a rotina de caçadores ingênuos de madrugadas e néctares alegres.

Começa a luta titânica

entre a memória e o esquecimento,

enquanto a solidão, entronizada,

decidirá no certo momento de reconstrução...

O que deve perdurar, o que deve sobreviver dentro do coração.

Golpe a golpe,

ressoam as paredes do antigo campo de batalha situado nesta alma,

aumentando as fissuras a cada suspiro escondido e os olhares perdidos para o céu nublado.

Porque necessária é a morte de tudo o que foi vivido.

Que das cinzas de uma vida se forme o barro, para moldar uma nova vida para dançar outra melodia ...

aquela que ressoa ao ritmo da caixa de Pandora daquilo que pensam, e o que esconde-se na entrelinhas do tempo.

Hoje eu sinto o embargo das palavras atravessadas na garganta, palavras mortas-vivas querendo ganhar vida, trazendo à existência o ardor que retirou-se...

Eu sou o grito que tine, gosto de lembrar que fui moldada pelo que eclodiu de dentro, não pelo caos externo de tantas bocas cheias de suas falsas convicções.

Sigo as rédeas do meu eu, livre!

caminho sobre a névoa que oprime os sentidos, mulher... senhora das minhas vontades, forjada neste fogo chamado liberdade.