Buli-minha

Eu sei que o tempo está passando, mas nada me anima.

Eu ligo a TV, abro um pacote de bolacha, mudo o canal e nem presto atenção as aleatoriedades.

Desligo.

Suspiro.

Um saco... de balas.

É complicado existir neste vazio.

No meu trabalho, eu não posso falar sobre o que curto. Minha família não me escuta e sinto-me deslocada entre "amigos".

No fim, vou existindo sozinha.

Vagando quase que no purgatório, onde apenas a comida me faz feliz.

Contudo, não quero engordar.

Preciso vencer esta compulsão, mas não tenho nada para colocar no lugar.

Assim, como tudo.

Para a tristeza, pastel.

Suprimo as lágrimas com um grande e recheado bolo.

Batata frita.

Esfirra.

Tão cruel o pão-de-mel.

Tento fugir e outra vez afundo na gelatina.

Por fim, os números na balança me desesperam.

Lamento a tragédia.

Submeto a exaustão na academia e, depois do sanduíche, tento não lembrar o quanto eu quero vomitar.

Recorro ao chá.

Não queria que a comida fosse a minha única companhia.

Indesejada, não amada, mas quem confere alguma cor ao meu dia-a-dia.

Espero algum dia encontrar o sussurrado significado da existência para que minha vida não seja este ciclo confuso e interminável.

Enquanto isto, pavê de leite ninho com chocolate.

Sirukyps
Enviado por Sirukyps em 18/10/2020
Reeditado em 18/10/2020
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