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Quinquagésimo quinto dia

"A quarenta de um poeta"

Quinquagésimo quinto dia:

Um dia lindo de sol, há três décadas nascera a minha menina a presentear o dia das mães. Eu tivera a sua idade e cheio de felicidade eu jorrava lacrimas em cima do seu véu na maternidade do bairro de Campinho e o destino a colocara de volta no mesmo lugar. Eu não poderia abraçá-la, todavia, eu a vira na tela do meu celular e tentara penetrar junto aos bits na banda larga turbinada para lhe dar um beijo de feliz aniversário, mas era possível somente vê-la e ouvir a sua voz.
Acompanhara todos os comentários de felicitações nas redes sociais e me emocionara com sua citação sobre seu pai que segundo a minha princesa era o seu exemplo.
Lembrara das peraltices de Raisa quando pequenina ao entrar no meu automóvel Ford Del Rey e subir sobre a cobertura interna do porta-mala como se fosse uma onça adestrada e o dia que eu não me perdoara de tê-la esquecido no clube de futebol na Barra da Tijuca após a bebedeira da vitória, contudo o meu desespero fora tão grande que quando a encontrei, ela estava a brincar com outras crianças sem perceber o sumiço de seu pai leviano,
e quando eu a levara para um grande parque de diversões na zona oeste e tivera que pedir como um sujeito inexistente o "para" para que minha filha de apenas oito anos descesse daquela cadeira protegida por apenas uma corrente que girara no ar na altura imensa a gritar de alegria:
-Paiê! Paiê!
O operador do parque me obedecera imediatamente e minha bonequinha não entendera o perigo de ter se infiltrado entre os adultos naquela aventura.
A pandemia nos impedira de estarmos juntos, mas os meus versos e prosas atemporais estiveram para sempre gravados no seu coração:
Sou como uma coruja e vejo uma rara formosura em você, filhote mimado de encantadora beleza. Sou uma ave da noite, sábia criatura, e vejo por todos os ângulos a sua postura. Sou tal qual um ser luminar repleto de luz que te aclara e te cobre na escuridão e no frio. Sou seu pai, fiel como a ave que retrata o amor, seu samurai e o seu eterno defensor.
E no dia do seu matrimônio eu pregara sobre o vinho a lhe dizer
que o casamento é um processo muito parecido com o da produção do vinho, a qual as melhores uvas são as virtudes individuais do homem e da mulher, o mosto refere-se à unidade da carne, os sulfitos são as defesas do casal, a água morna representa harmonia, a primeira fermentação é o tempo de adaptação onde são visíveis bolhas e espumas, a segunda fermentação em ritmo anaeróbico liberta o casal definitivamente o levando a ter várias mudanças de hábitos, a levedura é o desejo, elemento inflamável que acende o fogo do relacionamento e finalmente a decantação e filtração são consequentemente a separação de tarefas e eliminação de fantasmas. Jesus fez seu primeiro milagre em uma festa de casamento onde transformou a água em vinho e todo este processo foi feito para que não houvesse constrangimento para o casal e isto prova que Deus prioriza aqueles que o aceitam como vértice principal da união.
Amor de pai

Não sei se suporto, mas topo
Entregar sua mão a sua paixão
Pois o importante é ver a sua ventura
Recheada de pura emoção

Sei que cairá uma chuva de lágrimas
Quando houver o adeus  no altar
O meu traje de gala umedecerá
Lacrimejado de tanto gosto

E o oposto da profecia dos amuados
Será do sonho o ponto de partida
E tenho a certeza do encontro marcado
Entre você e a primazia

E lhe direi com o mais simples vocativo:
- Filha, te amo
Ed Ramos
Enviado por Ed Ramos em 09/05/2020
Código do texto: T6942355
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ed Ramos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
544 textos (6594 leituras)
23 áudios (1463 audições)
6 e-livros (1063 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 03/08/20 18:45)
Ed Ramos