Manhã do segundo domingo de maio e todos da vizinhança se preparavam para o almoço do dia. Uma correria, um frenesi, uns cozinhavam, outros faziam a decoração da mesa, outros ainda escolhiam as bebidas adequadas para a ocasião e Sara olhava toda aquela movimentação com o coraçãozinho tão apertado que quase não sentia as batidas.
     Lembrava a cada segundo domingo do mês de maio do processo doloroso que passara ao ver a mãe definhando dia após dia com aquela maldita doença, cujo nome não é capaz de pronunciar sequer em pensamento. Todas as vezes que pensava está superando a partida de sua mãe aquele domingo trazia tudo à tona novamente.
     Sara se recordava do diagnóstico da doença, do desespero da família, dos filhos, da fé na cura e na certeza da morte. Foram tempos de lutas, cirurgias, quimioterapias, dores e mais dores. Dores tão intensas que a morfina não pudera mais aliviar. Lembrava perfeitamente da mãe dizendo que ia ficar tudo bem, que não sofressem, que era vontade de Deus, que mais cedo ou mais tarde todos iam ter que passar por esse fim. “Mas, era preciso ser um calvário? Era preciso sofrer daquela forma tão cruel, tão cruel que nem sei como descrever? Deus, me perdoe, mas é muita dor. Dizia sara em soluços.
     Aquele cenário de alegria, de abraços, votos de gratidão trucidava sua alma, ela sabia que ninguém tinha culpa do seu sofrimento e que tinham era que celebrar mesmo aquele momento, mas não conseguia controlar seus sentimentos, sua dor. “Até quando meu Deus, até quando essa saudade vai ser tão doída, tão desesperadora? Eu sei que um dia vai passar e que vou chegar ao segundo domingo de maio com o corção em paz e com a certeza de que minha mãezinha está bem e vou apenas sorrir e comemorar com os vizinhos por ter tido a melhor mãe do mundo”. Dizia sara. Porém, todas as vezes que lembrava de Margareth, no seu íntimo elevava aos céus um questionamento: E as mães, não deveriam ser eternas?
 
Homenagem especial à uma amiga especial, que as vezes me distancio, mas mora dentro do meu coração....MACIMERE RODRIGUES!
Josy Matos
Enviado por Josy Matos em 09/05/2020
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