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Quinquagésimo quarto dia

"A quarentena de um poeta"

Quinquagésimo quarto dia:

Depois que tudo passasse, poucas máscaras cairiam e as remanescentes subiriam até os olhos. Este seria o resultado de uma disputa inundada por contradições no poder que deveria conter pluralidade. Os pobres sobreviventes que não descartaram os seus tapadores de bocas continuariam a gritar aos ouvidos dos que utilizaram socapas a pedir:
-Que se desfaça a farsa.
Naquela imunda guerra fria, a pandemia era desprezada e se morreria a democracia, pois o desejo do povo era abortado pela covardia de um grupo de mecenas que protegera a arte da maldade. Como uns bandeirantes atrás do ouro e da prata, um grupo garimpara as melhores oportunidades para aumentar seus tesouros. Os mercadores do caos se aproveitaram em todos os setores da zona nacional a praticar os delitos de corrupção.
Uma patota atravessara a tríplice praça a pé para se achegar ao supremo e pedira auxílio, todavia continuara a soltar "verbetes" como o que haveria muitas mortes de CNPJ´s. O negar da importância do perigo fora o grande erro do chefe do pelotão e naquele momento uma nova oportunidade estaria a surgir e o que se esperara era que o bonde que passara lotasse.
A imagem do país estivera a ser manchada no exterior e poderia sofrer um isolamento comercial, pois a gestão do líder era medíocre
pelo fato de ser contra o lockdown desde o aparecimento do terror biológico a bater sempre no peito a dizer que copiara o Tio Sam.
O relato de alguns que sofreram perdas era de arrependimento por não acreditarem nos disparos invisíveis do franco atirador que possuíra grande precisão. O medo de tomar um tiro fatal era quase uma unanimidade, mas ainda existira aquele que por razões ideológicas seguira o discurso do inominável cidadão.
A sociedade dos heróis mortos nascera durante a guerra e aumentara a cada instante quando os plantões fatais intimaram médicos e enfermeiros.
O fato que mais me impressionara no dia que dobrara o número de óbitos do meu Rio de Janeiro foi ouvir escandalizado o narcisista ególatra que dissera ao vivo que daria um churrasco americano em sua casa para trinta pessoas com direito a pelada de futebol.

A festa

Uma bola de gomos virosos no ar
É desejada por um todo
A rainha do espetáculo morde
O que não a pode controlar

Capciosa, se deixa levar
Como uma quenga do amor
A deslizar em seu peito,
O leito da dor

A receber chutes na cara
Espirra o que se esparrama
A juntar o seu suor
Com os orvalhos da grama

E antes do tempo proposto
O árbitro encerra a partida
A receber o cuspe em seu rosto
E dar o "e daí" para a vida
Ed Ramos
Enviado por Ed Ramos em 08/05/2020
Reeditado em 09/05/2020
Código do texto: T6941435
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Ed Ramos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 60 anos
545 textos (6618 leituras)
23 áudios (1469 audições)
6 e-livros (1064 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/08/20 03:31)
Ed Ramos