MARACATU

Os pés que pisoteiam por cá não são os pés de outrora.

As lágrimas se misturam ao pó do canavial, da estrada.

A cana vira garapa. Vira sangue na lavoura, suor na avenida.

Os passos miúdos, uma plangente toada,

ecoa

Maracas e tambores percutem.

Do céu a terra é vista, desfeita, cor de ferrugem,

Desbotando a vastidão árida.

De quem é aquela voz?

Os deuses estremecem com o ruflar e a reconhece.

Cordel do fogo encantado,

Das chamas que proclamam a liberdade, da vida.

A fala da razão se faz incoerente.

Somos todos loucos.

Não soa nossa voz inteligível aos ouvidos dos intelectuais.

As pernas ensaiam os sagrados rituais.

Joel de Sá
Enviado por Joel de Sá em 18/03/2020
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