AÇOITE

Jogado em cima do colchão

de pernas doloridas da caminhada diária

com a sede e a fome apertando

as tripas

ouço a chuva de açoite

batendo na vidraça.

penso em nada.

penso no que pode ser.

penso no que já é.

nada foi como o ontem

nem será como o hoje.

amanhã o sol nascerá

e os pássaros vão nos presentear

com seus cantos.

hoje foi um dia duro

enquanto o amanhã não chegar

é isso que me resta.

Gleidston de Aragão
Enviado por Gleidston de Aragão em 19/02/2020
Código do texto: T6869540
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