Pensando sobre nós

Por que escolhemos o pecado a rendição? Por que razão lógica preferimos padecer, sofrer, morrer, a encontrar a tal luz no fim do túnel? Não sei! O que sei é que, na escuridão daquela noite, tudo que eu desejava era estar nos seus braços. Minhas melhores lembranças da vida, que não eram muitas, eram ali, naquele lugar aconchegante entre seu braço e seu peito, com o rosto debruçado e contemplativo, buscando em seus lábios as minhas verdades relativas. E seus olhos, que não se fixavam em lugar algum, eram como livros abertos cheios de páginas em branco. Mas esse seu mistério sedutor é que me atraia. Seu corpo não tinha nada de especial, a não ser o seu rosto triangular e seu sorriso perfeito, nada poderia atrair. No entanto, quando se dispunha a amar, era tão lindo quanto um galã de novela ou cinema. Acredito que, contrariando a fisiologia do amor, me atrai primeiro por suas palavras e só depois olhei o seu rosto, só então contemplei seus defeitos, só aí notei sua cicatriz no queixo, outra no supercílio esquerdo e uma, bem charmosa, no lábio inferior. Me entreguei a promessa de uma vida ao seu lado. Me dediquei a somente amar sua companhia, admirar a sua existência. Cheguei ao ponto de me anular totalmente apenas para ser um só corpo, para ser uma só alma, para ser você. Essa dependência química, física, psicológica, essa falta de amor próprio, de auto estima, é que destruiu o nosso amor. Sim, a culpa era minha, mas também foi sua. Você decidiu que não estava pronto para isso e..bom, era isso. Se você não estava pronto, eu tinha que aceitar. Afinal, não poderia eu decidir por você. Cheguei à beira do abismo, estive no limiar da paixão e da morte e, graças a alguma força que ainda possuía, optei pela paixão e me dei a ela de corpo e alma. Hoje, enquanto estou na sala da minha casa olhando a chuva caído miúda e silenciosa, me lembro do quanto você gostava disso, da chuva e do cheiro produzido por seu contato com o asfalto. Agora é só lembrança e amor, agora é só dor pelo que poderia ter sido e não foi. Agora é presente e que o passado durma, pois ainda há o futuro e esse deve chegar em breve. E que chegue promissor.

Carol S Antunes
Enviado por Carol S Antunes em 16/08/2015
Código do texto: T5348218
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