sonho
Tive um livreto em minhas mãos. O lado direito, de cada página, continha uma letra, parecendo um dicionário. Talve, até fosse, só que...
Ao sortear uma página, percebi que estava em um dia bom. Sorteei a J. E voaram Juritis sobre mim. Fechei o livro e acendi um cigarro. A noite era brilhante. Decidi parar de pular as letras e começar na letra A.
Apareceu a lua na minha janela. Levantei em busca de alguma constelação. Por alguns instantes, algo parecia meu.
Bê-á-bá do futuro, bê-á-bá do presente.
Cultivei só para mim.
Deitei e não quis levantar.
Enxerguei o dia por ser necessário, já, a realidade, não. Deitei novamente.
Feito criança, no ventre de alguém, afagada a aflição.
Gritando, a alma cansa e, qualquer laço, desmancha. Ou é a alma que cansa de gritar?
Humanidade buscando matéria vendida pela humanidade, já comprada ou feita por ela. O material nada vê e nada sente. O material, para muitos humanos, é o tal.
Instinto matinal encontrando ódio no pensar.
Justifiquei ao ego que a alma é Kamikaze, às vezes, vivendo, outras, implorando...
Lembrei da palavra Mãe. Não sei o que significa, pois apesar de serem chamadas da mesma forma, são pessoas diferentes. O que as iguala são os filhos e como a chamam.
Ninguém é igual. O que era nítido para mim. Que nada, nem ninguém era normal: todos remoem a dor. Raiva. Saudade. Tristeza.
Um ou outro claro, Buda, Gandhi, entre outros raros, ou seja, poucos viveram certa plenitude.
Vejo que ninguém é normal e quem é parece não sentir. E que, quem não sabe sentir, não vive. São apenas humanos em corpos cobertos de roupas de almas nuas. Xinga, quem não é anormal, mas também cala. Zela, também desdenha, sorri, e chora. Dorme, e depois...
Acorda.