SERES IN NATURA
Ao ver uma orquídea se abrindo, após quinze meses de “gestação”, quando acreditava que dali nada sairia, não posso deixar de acreditar que a vida, independente de tempo cronológico... Realmente existe. E pensar que tantas vezes disso duvidei...
Suas cores, rosa e branca, mostram-me a extrema delicadeza do ser... Também, por mim, tantas vezes, desacreditado.
Um cacho de seis botões de abrindo em flor consegue, por tão pouco... Mas é tão muito... Fazer-me pensar na existência do ser terrestre, que jamais, em momento algum, pode, da natureza, distanciar-se, pois somos o todo em um só... Ser “in natura”...
É esta interação que faz do homem a diferença. Se, em um momento, a esperança perdemos; no outro, a recuperamos ao ver o brotar dos botões.
Botões que em flores se transformarão, assim como gente... Crianças, adolescentes que um dia, adultos serão e terão de, naturalmente, desabrochar, mesmo que essa gestação demore.
Não há como pensar no homem sem compará-lo à natureza tão simples, natural, bela e determinante. Assim deveria ser o homem: natural ao desabrochar-se e belo ao impor-se diante da vida.
Meu receio, quanto ao homem, é o de que ele nunca desabroche... Quão triste deve ser este ser. Mas, de repente, este ser que não desabrocha, sequer, noção tem do que significa a vida e o desabrochar dela; não sabe e jamais, saberá, a beleza e a alegria da vida... Viverá entre suas pobres crenças de valores, que pena...
A fé na vida se faz, porém, ao ver outros seres pelo desabrochar ansiar... E quanta esperança isto me traz... Quem sabe, aquele ser, que em seu mundo único vive, um dia, saberá a importância do desabrochar de orquídeas já desacreditadas.