No silêncio da noite
A noite silenciosa feito brilho de estrelas, e no silêncio da noite escrevo.
Camaleões, mudando de cor, devem estar à procura de suas presas e eu não sou presa fácil quando escrevo.
Estou longe de mim...em sintonia com a noite e em harmonia com o espaço. Estou mais para o ar, que para terra, mais para o rochedo que para o mar, mais para dentro que para fora e ando sobre a estação da primavera, onde tudo são flores e me perco em campos de girassóis...
Canto, sorrio, corro...Sou menino me banhando em cachoeira, sou nascente de riachos, rolo na grama e sonho. Os sonhos me levam ao devaneio, ao espaço e me sinto na dimensão exata do universo.
Estava deitado e não encontrei o sono. Encontrei o canal que libera sentimentos. São momentos de inspiração onde sou lua, sozinho e iluminado. Tudo é sagrado.
A noite não me trás o sono e não a abandono. Sou rei absoluto dessa noite sem dono. Sou levado a momentos torpes e distantes que vêem através das lembranças e são tantas... Pedras preciosas, guardadas no fundo d'alma, plantadas n'alma, enraizadas. Tudo vai perdendo aos poucos, a importância, quando a saudade vai se transformando...Sem mais vontade de reviver o momento de ontem, espero o amanhã.
Enquanto o amanhã vem chegando bem devagar, acampo na linha do horizonte, vou tentar adormecer, ameaçando o sono.
Tony Bahi@.
Rio de Janeiro, maio de 1994.