FÊNIX
O poeta é um fabricante de sonhos.
E por ser fabricante de sonhos
Tende a viver voando pela imensidão.
Como qualquer outro ser ele sofre, chora,
Apaixona-se, aposta todas as suas fichas na roleta da vida
Ganha... Perde... Sente dor e desilusão.
A alma do poeta é como um veleiro
A singrar os mares bravios.
E, em meio às tempestades, as suas mágoas
Misturam-se às águas do mar e o poeta sente medo...
Pensa em desistir da luta... Soluça ... Sente calafrios!
Poeta tenta transformar todas as estações em primavera...
Poeta não sabe distinguir quimera de razão.
E, às vezes, esquece que também é gente
Já que em seu peito há sempre uma chama ardente,
Semelhante às lavas expelidas pela boca de um vulcão.
O poeta vive as suas emoções e dá vida às emoções alheias
Caminha em meio à escuridão, embrenha-se em labirintos,
Cai em armadilhas que a própria vida lhe oferece
E até pensa que vai sucumbir,
Que já não é capaz de sobreviver à dor e à solidão.
Mas há no poeta uma fé interior que o impulsiona,
Algo que lhe faz ressurgir de suas próprias cinzas,enxugar o pranto
Reunir as forças e seguir em frente, em busca de acalanto,
De uma nova paragem onde possa repousar o seu irrequieto coração!
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Maria do Socorro Domingos dos Santos Silva
João Pessoa, 13/08/2012