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“DESEJO”

Valdemiro Mendonça.



        Muitas pessoas jovens, dizem com toda a segurança que não gostam de lembrar o passado... Pessoas como eu, já dobrando o cabo da Boa Esperança, não tem muito que fazer principalmente se estiver aposentado, Aí... Não se deve viver no passado, mas lembrar de anotar as boas passagens vividas acho que é saudável, pois, diverte quem escreve e alguns que podem perder tempo e ler, às vezes acabam achando que não perderam o tempo.

        Bem... Coisas simples como, trocar uma lâmpada pode ser um momento para não mais se esquecer, como este... Eu ainda tinha vinte anos e morava com meus pais e estava chegando do treino de futebol, como eu morava perto do campo e era cidade pequena, ia e voltava de  short e devido a moda usada na seleção, todos os  jogadores de futebol de grandes e pequenos times  vestiam os calções apertados e tidos como sex para  atrair o publico feminino aos estádios!

         Quando cheguei à frente da minha casa um garoto me deu recado de uma vizinha que morava três casas adiante, no mesmo lado da rua e estava me chamando. Estranhei, pois a casa era de uma mulher que estava a mais de um ano viúva e morava sozinha desde que o marido morrera em um acidente na empresa que trabalhava!

          Como ela recebia uma boa pensão se tornou um bom partido até para casamento, isto era motivo de comentários frequentes entre os moradores da cidade. “Quem nunca morou em cidades pequenas nem imagina o fuxico que rola todos os dias, sobre tudo e sobre todos”.

           Só que a jovem viúva saia de casa apenas para ir a igreja presbiteriana que frequentava, até então ninguém  tinha muito que fofocar sobre sua conduta na cidade. Pensei até que podia ser algum caso de doença e fui lá pra saber do que se tratava... Bati na porta e ela veio atender no mesmo instante, ela estava vestida com um vestido rosa bem claro, bem diferente dos vestidos pretos com que ia a igreja.

            Ao ver-me foi logo dizendo: Desculpe ter incomodado, é que queimou uma lâmpada e “eu”, mesmo subindo na mesa não tenho altura suficiente para trocar, eu disse a ela; Bem... Eu posso fazer isto só que nem troquei de roupa, se você não se importa, ela disse que não, e eu entrei na casa e a acompanhei depois que ela fechou a porta até a copa, onde a dita bendita lâmpada tinha se queimado.

              Claro que eu estava pensado naquilo... E duvido que qualquer outro na minha situação não estivesse! Bem... Não havia escada, o jeito era subir na mesa como ela tinha feito, subi usando a cadeira como degrau e sem muito esforço retirei a lâmpada queimada, quando me inclinei para entregar-lhe, notei que ela estava pálida e tremendo, eu ouvi um longo suspiro e a vi desabar no assoalho de tábuas corridas muito bem enceradas!

                Pulei no chão e a tomei nos braços dando-lhe palmadas leves no  rosto, ela voltou a si do pequeno desmaio e após alguns segundos de inércia seus braços me envolveram, senti o gosto de uns lábios macios e uma língua entrando na minha boca, com tanta pressa que me deu vontade de rir, ao pensar que esta língua estava com mais de um ano atrasada.

               Pois é, só fui colocar a roupa no outro dia, banho? Sim... Tomamos muitos! Ha! Também troquei a lâmpada, não com ela... Casei-me com outra aos vinte e três anos... É bem novo.
     
             
 
Trovador

Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 02/05/2012
Código do texto: T3645560
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Sobre o autor
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