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UMA GRANDE POETISA

Nasceu em " Olho D'Àgua numa terra distante,
Num dia para família marcante.
Foi batizada com o nome de Maria Leontina,
Ela era poetisa desde menina.
Nunca aprendeu a ler, nem a escrever,
Por isso a sua obra não podemos conhecer.
Suas palavras se espalharam como semente,
Seus versos encantavam muita gente.
O seu improviso era na hora,
Bastava abrir a boca que os vesos saiam para fora.
Quando mocinha conheceu um rapaz por nome Acreciano,
Mas ele agiu com a moça, numa atitude de um insano.
O matuto bateu na porta dela no meio da madrugada,
E disse:- Arrume as suas coisas e vamos cair na estrada.
A garota fechou a janela em sinal de decepção,
Pois aquele jovem acabou partindo o seu coração.
Era o costume daquela época, fugia-se primeiro para depois casar,
Mas naquele dia, ela viu os seus sonhos se despedaçar.
Abominando profundamente aquele comportamento,
Congelando para sempre um lindo sentimento.
Depois disso veio para São Paulo morar,
Aqui os seus versos continuavam com o gosto e sabor da saudade,
Pois cantava em seus versos a sua dura realidade.
Com o tempo foi se perdendo à sua poesia,
Pois ninguém teve a idéia de registrar o seu dia-a-dia.
Sempre que conversava contava está triste história de amor,
De um pobre homem que não soube reconhecer o seu valor.
Ele morreu primeiro abandonado naquele sertão,
Numa terra seca,numa eterna e triste solidão.
Ela envelheceu em seu amargo caminho,
Fazendo crochê para ganhar um dinheirinho.
Seus versos expressavam cada vez mais a sua realidade,
Leontina morreu com cento e poucos anos de idade,
A sua poesia se espalhou por esta cidade.
Não deixou testamento nem herança,
Apenas um velho retrato dele como lembrança.

(Esta é a história de uma grande poetisa Maria Leontina Machado Bezerra, poetisa nasceu no Céara,em uma cidadezinha chamada Olho'dàgua,o ano de nascimento desconhecido,porque eles não tinham o costume de registrar as pessoas quando nasciam.Morreu em 1995, com 105 anos aproximadamente. Irmã caçula da minha avó Francisca machado Bezerra. Que cheguei a conhecer."Minha tia velha", era como eu a chamava.Ela me chamava de "Nova".Ela era como uma vó para mim. Era muito menina, lembro poucas coisas dos seus versos.)
Leila Rodrigues
Enviado por Leila Rodrigues em 31/07/2011
Reeditado em 31/07/2011
Código do texto: T3130598

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Sobre a autora
Leila Rodrigues
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Leila Rodrigues