CÚMPLICE AROEIRA
Esta vendo aquela escola
Do outro lado da praça
É a mesma escola da
Minha infância querida.
Do outro lado da rua,
Bem em frente ao seu .
Portão principal, ainda hoje,
Tem uma aroeira.
Foi atrás daquela aroeira
Que os meus lábios
Ingênuos pela primeira vez
Encontraram o calor
Dos lábios dela.
Éramos crianças ingênuas
Que acreditávamos que
Atrás daquela aroeira
Não éramos vistos por
Ninguém.
Alguém nos viu.
E daí.
Estávamos descobrindo o amor.
Depois do nosso primeiro e
Único beijo ela partiu,
Deixando-me enorme
Tristeza no coração de
Menino apaixonado.
Hoje, muitos anos se
Passaram.
Todas as vezes que eu
Passo nesta praça e avisto
A escola, ainda vejo em
Frente a mesma Aroeira
Que escondeu de alguém
Nosso primeiro e único
Beijo.
Você nunca mais voltou
Mas eu sabia que você
Nunca mais voltaria.
Você foi levada pelos
Braços de um anjo
Para nunca mais voltar.
Na minha ingenuidade
De menino, compreendi,
Que você era especial
E foi para um lugar especial.
Hoje, na aroeira, eu sinto
O calor dos seus lábios
Nos meus lábios.
Sinto a tua presença
A me envolver
Com seu pequenino
Corpo de criança ingênua.
Enquanto a aroeira aqui estiver,
Tenho a certeza
Que você também estará.
Eu, você e a cúmplice aroeira
Estaremos juntos
Até quando Deus quiser.