CÚMPLICE AROEIRA

Esta vendo aquela escola

Do outro lado da praça

É a mesma escola da

Minha infância querida.

Do outro lado da rua,

Bem em frente ao seu .

Portão principal, ainda hoje,

Tem uma aroeira.

Foi atrás daquela aroeira

Que os meus lábios

Ingênuos pela primeira vez

Encontraram o calor

Dos lábios dela.

Éramos crianças ingênuas

Que acreditávamos que

Atrás daquela aroeira

Não éramos vistos por

Ninguém.

Alguém nos viu.

E daí.

Estávamos descobrindo o amor.

Depois do nosso primeiro e

Único beijo ela partiu,

Deixando-me enorme

Tristeza no coração de

Menino apaixonado.

Hoje, muitos anos se

Passaram.

Todas as vezes que eu

Passo nesta praça e avisto

A escola, ainda vejo em

Frente a mesma Aroeira

Que escondeu de alguém

Nosso primeiro e único

Beijo.

Você nunca mais voltou

Mas eu sabia que você

Nunca mais voltaria.

Você foi levada pelos

Braços de um anjo

Para nunca mais voltar.

Na minha ingenuidade

De menino, compreendi,

Que você era especial

E foi para um lugar especial.

Hoje, na aroeira, eu sinto

O calor dos seus lábios

Nos meus lábios.

Sinto a tua presença

A me envolver

Com seu pequenino

Corpo de criança ingênua.

Enquanto a aroeira aqui estiver,

Tenho a certeza

Que você também estará.

Eu, você e a cúmplice aroeira

Estaremos juntos

Até quando Deus quiser.

Ricardo Leão
Enviado por Ricardo Leão em 28/11/2010
Código do texto: T2641751