Dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
(Vinícius de Moraes)
SOU TRISTE
I
Olhar panorâmico...
Quanta beleza no mundo!
Quanta coisa boa na vida!
Mas este rio aqui em cima
Largo, limpo, majestoso, lindo de se ver
Lá, pouco depois de onde ele começa, um esgoto
As paisagens na estrada são tão verdes, tão belas
Mas por que há tanto eucalipto e cana e só isso?
E quantas guerras aqui e ali, grandes e pequenas
Velhas, novas, vai ser preciso ainda mais uma
Mais uma grande guerra para se garantir a paz
Cimento e asfalto sufocam as raízes das árvores
E com tanto concreto ereto não dá para ver o sol
O que fazem aqueles jovens ali naquele beco escuro?
E essas crianças perambulando por entre os carros?
Essa tribo está tão estranha, ficou grande demais
Nem sei mais quem é e quem não é meu irmão
Que mundo próspero! Que vida confortável!
Eu tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que não encontro motivo...
II
Depois, foi ver-te partindo...
Levava contigo toda a beleza do mundo
E levava a última coisa boa da vida...
E eu sem saber o que ficava aqui comigo!
Nunca imaginei que o mundo fosse tão grande
E que pudesse parecer muito maior ainda
E eu sei bem, distâncias são sempre atrozes
E sei também, os silêncios são sempre ferozes
E a solidão é a mais absoluta plenitude
De todas as distâncias e de todos os silêncios
Olhar panorâmico...
A vida é que é o verdadeiro milagre
Uma dádiva, sempre, acordar e estar vivo
E vivendo fazer parte de qualquer milagre
O milagre do amor, talvez da felicidade
Milagre de fazer parte da verdade
E cada verso tecido em nome da poesia
Devia ser escrito como se fosse um milagre
E eu tenho tudo para ser feliz
Acontece que sou triste
E ainda procuro o motivo...
(Poesia On Line, em 22/09/2010)
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
(Vinícius de Moraes)
SOU TRISTE
I
Olhar panorâmico...
Quanta beleza no mundo!
Quanta coisa boa na vida!
Mas este rio aqui em cima
Largo, limpo, majestoso, lindo de se ver
Lá, pouco depois de onde ele começa, um esgoto
As paisagens na estrada são tão verdes, tão belas
Mas por que há tanto eucalipto e cana e só isso?
E quantas guerras aqui e ali, grandes e pequenas
Velhas, novas, vai ser preciso ainda mais uma
Mais uma grande guerra para se garantir a paz
Cimento e asfalto sufocam as raízes das árvores
E com tanto concreto ereto não dá para ver o sol
O que fazem aqueles jovens ali naquele beco escuro?
E essas crianças perambulando por entre os carros?
Essa tribo está tão estranha, ficou grande demais
Nem sei mais quem é e quem não é meu irmão
Que mundo próspero! Que vida confortável!
Eu tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que não encontro motivo...
II
Depois, foi ver-te partindo...
Levava contigo toda a beleza do mundo
E levava a última coisa boa da vida...
E eu sem saber o que ficava aqui comigo!
Nunca imaginei que o mundo fosse tão grande
E que pudesse parecer muito maior ainda
E eu sei bem, distâncias são sempre atrozes
E sei também, os silêncios são sempre ferozes
E a solidão é a mais absoluta plenitude
De todas as distâncias e de todos os silêncios
Olhar panorâmico...
A vida é que é o verdadeiro milagre
Uma dádiva, sempre, acordar e estar vivo
E vivendo fazer parte de qualquer milagre
O milagre do amor, talvez da felicidade
Milagre de fazer parte da verdade
E cada verso tecido em nome da poesia
Devia ser escrito como se fosse um milagre
E eu tenho tudo para ser feliz
Acontece que sou triste
E ainda procuro o motivo...
(Poesia On Line, em 22/09/2010)