Visceral
Dê-me as tuas mãos e vem comigo navegar para qualquer lugar. A direção não importa e sim os caminhos soberbos e abstratos para o céu. Sejamos como os nômades, atrevidos e selvagens; indecentes no sapatear nu das horas do amor. Observe de mansinho para não despertar a ira dos deuses e sinta a beleza visceral da inocência rasgando as noites acesas de estrelas. Não te esqueça meu menino, no jardim noturno do paraíso, as rosas nunca perecem e os anjos não cessam suas canções de amor. Mesmo que a morte nos alcance, como ocorreu a Romeu e Julieta, ainda assim a poesia existirá sempre.
Abra os olhos comigo e sinta o perfume das límpidas flores selvagens derramando-se nos Campos Elíseos. Não tema os chamejantes olhos negros da escuridão e permita que a vida lhe dê de presente as duas forças do equilíbrio. O bem e o mal são apenas energias da natureza, é preciso saber como lidar com a inquietação e a serenidade. Tudo tem uma medida certa e para nada existe uma fórmula secreta, somente experimentando a dor e a ternura é possível sentir Deus no sopro de um beija-flor. Certas passagens do amor levam a curvas perigosas, todavia, no fundo do arco-íris ainda é possível encontrar um pote de ouro.
Dê-me o teu sorriso mais lindo, a luz de teus olhos castanho-escuros e o som de tua alma e os mais belos anjos certamente hão de ouvir a minha prece. Permita-te uma doce entrega e sussurros de pétalas de estrelas, embalados em ondas de bálsamo, virão do astral. Brumas e cheiros, chuva e fogo e o estreito vínculo de duas almas solitárias de desejo. Refugia-te no meu colo e a partir de um beijo a relva nos acolherá. Nada mais importará tanto no trópico das horas, somente o ritmo vivo, em nossa carne trêmula de tanto amar. Sem freios, lenços ou documentos, apenas os caprichos dos corpos e espíritos ao vento. No íntimo dual das estrelas e conforme o desvario e a cobiça dos anjos. Ah, também pudera. E como eles queriam amar!
Prosa poética dedicada a um ser ímpar, O.A.M.