O primeiro quadro que eu vi foi “O Quarto”, de Van Gogh
Uma gravura num livro, é claro, eu logo disse
Quero pintar como esse holandês
A textura, as cores fortes, os traços marcantes
Ainda me lembro desse momento emocionante
Eu sou Vincent Van Gogh, sou esse holandês...
O primeiro poema que li nem sei mais
Nem lembro qual livro que primeiro folheei
(Tinha os Contos das Mil e Uma Noites)
Teriam sido os livros de escola, decerto, livro de português
Que fosse Camões é improvável, ainda mais um soneto
Mas quando o li decerto eu disse: sou Luiz Vaz
Sou Camões, quero escrever como esse português...
A primeira invenção do homem, eu acho, não foi a roda
A linguagem, esse decifra-me ou te devoro do mundo
A palavra talvez, depois a escrita, guardar o que se diz
A grande invenção, entretanto, foi o papel,
Depois da palavra e depois da escrita...
E depois de tanta coisa, deu-se de inventar os nomes
Mato, céu, água, nuvem, árvore, chão
Boi, cavalo, vaca, pato, onça, galinha
Nariz, orelha, olho, boca, pé, braço, perna, mão
Milho, mandioca, banana, carne, farinha
Riso, lágrima, grito, prazer, fome, dor
Abraço, tapa, caminho, buraco, corrida
Fome, sono , sede, caça, dia, noite, amor
Tempo, chuva, vento, morte, manhã, vida
Mas eu creio mesmo que no princípio era o verbo
Que num descuido de sentir se fez poesia
E habitou no meio de nós...
E, diante de um quadro de Van Gogh,
De um soneto de Camões,
E de um magnífico por-do-sol,
Isso tudo me faz crer que no princípio era a Poesia!
Uma gravura num livro, é claro, eu logo disse
Quero pintar como esse holandês
A textura, as cores fortes, os traços marcantes
Ainda me lembro desse momento emocionante
Eu sou Vincent Van Gogh, sou esse holandês...
O primeiro poema que li nem sei mais
Nem lembro qual livro que primeiro folheei
(Tinha os Contos das Mil e Uma Noites)
Teriam sido os livros de escola, decerto, livro de português
Que fosse Camões é improvável, ainda mais um soneto
Mas quando o li decerto eu disse: sou Luiz Vaz
Sou Camões, quero escrever como esse português...
A primeira invenção do homem, eu acho, não foi a roda
A linguagem, esse decifra-me ou te devoro do mundo
A palavra talvez, depois a escrita, guardar o que se diz
A grande invenção, entretanto, foi o papel,
Depois da palavra e depois da escrita...
E depois de tanta coisa, deu-se de inventar os nomes
Mato, céu, água, nuvem, árvore, chão
Boi, cavalo, vaca, pato, onça, galinha
Nariz, orelha, olho, boca, pé, braço, perna, mão
Milho, mandioca, banana, carne, farinha
Riso, lágrima, grito, prazer, fome, dor
Abraço, tapa, caminho, buraco, corrida
Fome, sono , sede, caça, dia, noite, amor
Tempo, chuva, vento, morte, manhã, vida
Mas eu creio mesmo que no princípio era o verbo
Que num descuido de sentir se fez poesia
E habitou no meio de nós...
E, diante de um quadro de Van Gogh,
De um soneto de Camões,
E de um magnífico por-do-sol,
Isso tudo me faz crer que no princípio era a Poesia!