As regras do acaso

As horas não ditam as regras do acaso. O destino fugaz e incerto dos pássaros move meu espírito rumo aos novos ares. Um céu cheio de luas negras paira diante de meus olhos plácidos e reluz nas sombras indecentes dos versos soltos na chuva. Noturno é o teu olhar refletido nos oceanos infinitos de tuas águas eternas, misturando-se dentro de minha alma insana e voraz. Profanos somos, humanos de carne e ossos. Sangramos por amor. Fluimos melhor através da dor que traz a luz da consciência. E as horas sobernas espiam pelas frestas das janelas quando fazemos amor nas altas madrugadas lascivas, feito animais. A ira, o desejo, o instinto quase selvagem. Os anjos seguramente não podem nos alcançar com suas asas largas quando alcançamos o êxtase sagrado dos deuses. E Deus sabe exatamente em quais linhas escrever seus versos doces e amargos no desabrochar da aurora em nossas vidas, quase feitas de pó e diluídas na poesia de cada despertar.

Verônica Partinski
Enviado por Verônica Partinski em 27/07/2009
Reeditado em 27/07/2009
Código do texto: T1721211
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