Testamento
É chegado o momento da partida.
Triste alívio, fiel despedida, comovente saída sem o sal do viver.
Não há muito o que contar, pois não houve muito o que ter, mas há muito para viver, pois este ficara estacionado no tempo e no esquecimento que dei por causa da falta de amor em mim, de mim, por mim.
Meu legado é tamanho. Meu sonhar não é estéril.
Para os que amam, deixo a poesia, desde que a façam fluir nos ouvidos mundo a fora.
Para os que sofrem, deixo o meu sonho de ter esperança... no fundo a tive!
Para os que são felizes, deixo aquele sorriso que tive na infância, de quando ganhei o meu primeiro gibi e olhei escondida a revista Cruzeiro de meu pai.
Para os que choram, deixo minhas lágrimas, para que se lavem nelas e sequem seus desgostos.
Para os quew vivem, deixo o último sopro e a alma de poeta, para que a carne esquecida transforme o espírito em verdade e eu jamais deixe de ser, de existir.
Sem adeus, pois nunca vou ir.
Beth Ferreira