Amanheceu em meu coração
Solstício de inverno em minha alma. Os raios de sol derramam esperança e expectativa com o novo dia. Samambaias florescem em xaxins secos enquanto busco cruzar a tênue névoa que separa o sonho da realidade. Os sons dos gravetos partidos sob meus pés me remetem a um mundo de alegorias plenas. São querubins, colombinas, gondoleiros do amor, agentes de viagens intergalácticas e faxineiros de almas e mentes que desfilam com a imprecisão das retinas reticentes, recém despertas. Há gotas de orvalho escorrendo dos grossos caules de um passado ainda adormecido. Descem sonolentas, caem e se espatifam sobre insetos metamorfoseados em pássaros ciganos. O doce aroma da seiva dos pinheiros rasga todas as últimas suspeitas da madrugada perdida. Canta o galo garnisé o hino da ressurreição.
Amanheceu em meu coração...