Sob os signos da primavera
Sob os signos da primavera apresento-me a você na força da lua cheia e tão Cheia de graça e me espanta saber que tu és como o sol que não poderei alcançar. Faço uma promessa: ode aos deuses; cantado pelas misteriosas ondinas. Surpreendo-te com belas odaliscas, ofertadas junto ao altar para o grande príncipe. É preciso saborear o langor das rosas acariciando-se pela brisa no fim de uma tarde azul enquanto a paixão que criou asas se demora lá fora.
Dias de frio e meu desejo não cessa dentro do peito. Necessito. Padeço. Quase me esqueço que a vida dura um instante na presença de tuas carícias. Os anjos arrastam as suas asas sobre mim e eu sofro. Não é necessário lembrar que o amor me move diante do mundo sob a influência das estações da lua. Construo poesias no vento. Versos que se perdem para sempre. Guirlandas de rosas perduradas na varanda e essa dor que não passa.
Sob os signos do amor escrevo uma longa carta ao desabrochar de noites ímpares. Lágrimas escorrem. Doces enganos e fantasias. “Paris deveria ser uma festa”. Será que Hemingway sabia das coisas enquanto jovem? Não sei decifrar os caminhos do coração, esse eterno enigma. Você tem a chave do portal que abrirá o oceano ao meio. Chamarei os anjos e tocarei lira quando a hora chegar. Todavia, tudo o que me resta agora são as serestas que ouço distante, tocadas e cantadas por algum sonhador.
Dias de luz e de ventania. Janelas se abrem ao deus Apolo. O ar se perfuma inteiro. Os campos cobertos de flores silvestres inspiram-me a sonhar. Escrevo versos efêmeros ao despertar da aurora. Gozo as cores na mais bela das estações e regozijo-me ao sentir os teus dedos na minha pele fresca e levemente dourada de raios de sol. Retratos de Praga. Canções tão antigas na vitrola. Nem sei mais o meu nome. Tantas mulheres perderam-se dentro de minha alma cigana. E tudo o que eu sei é sobre como decifrar pequenos sentimentos ao seu toque mais sutil, sob os signos da doce primavera.