MEU SENHOR, PROTEJA MEU SERTÃO

MEU SENHOR, PROTEJA MEU SERTÃO

DEDICO ESTE DESABAFO AOS DEPUTADOS E SENADORES)

Meu amigo, no meu simples linguajar

no meu limitado pensamento

você aqui vai apreciar

pouca alegria e muito sofrimento.

Com minha modesta inspiração

vou falar do meu sertão

de forma simples, mas consciente...

Eu sou um poeta do interior

que sente e entende o clamor

de minha terra e de minha gente.

Deste meu povo abandonado

carente de carinho e proteção

que tem o corpo maltratado

pelo abandono e pela precisão.

Porém, o maior sofrimento

que me enche de sentimento

e me causa grande emoção...

É ver meu povo cada vez mais pobre

Redendo-se ao poder do cobre

dando poder a quem não tem compaixão.

É poder ver tanta gente

na mais ingrata judiação

trabalhando sob o sol inclemente

por algumas migalhas de pão.

É ver tanta gente inocente

obrigada a dar um voto inconsciente

envolvida por uma falsa ilusão...

É ver trilhando um caminho tortuoso

dando poder a um grupo orgulhoso

alimentando a miséria, o descaso, a corrupção.

Meu amigo esta é a pura verdade

é duro amigo, é sofrimento demais

é duro ver filhos com capacidade

abandonando sua terra, seus ideais.

Por sorte, alguns vão estudar

em universidade vão se formar

tendo acesso às boas matérias...

E que estes filhos voltem! Na esperança se fica,

pra fazer uma transformação nesta terra tão rica

mas que produz muitas misérias.

Aqui, é um paraíso abundante

é forte este meu sertão querido

mas é preciso um trabalho atuante

para que o povo seja protegido.

Protegido do apetite de muitos urubus

que deixam nossos filhos com fome e nus

sem esperança, na mais cruel privação...

Este povo que luta no calor e no inverno

tem que se salvar deste calvário, deste inferno

desta ingrata, injusta e cruel escravidão.

Este meu sertão é um reino encantado

mas sofre o velho, sofre o novo

se há muita fartura para gado

falta alimento para o povo.

Nossa terra é abençoada pela natureza

meu eu vejo muita tristeza

no rosto de cada irmão morador...

Sinto o povo carente, não tão somente de pão

mas sim, de afeto, de carinho, de compaixão

de fraternidade, de honestidade e de muito amor.

O sofrimento traz conseqüências

vejo minha nação desprotegida

famílias tangidas pela indigência

vão pelas estradas da vida.

Deixando este lindo céu azul

umas vão pro norte, outras pro sul

deste nosso grandioso país...

Esta gente vai carregando sua cruz

rogando a proteção de Jesus

pra um dia voltar a ser feliz.

Vão nossos filhos pelos caminhos

numa dura e difícil caminhada

sofrendo como se fossem espinhos

furando a pele frágil e maltratada.

Vão pelas estradas da ilusão

talvez com esperança no coração

deixando suas terras e seus pais...

Pra uns, as tristezas ainda mais crescem

muitos pais que ficam, padecem

muitos filhos que vão, sofrem mais.

Lá fora existem tantos empecilhos!

Fala o pai que está distante

e assim tão longe, vendo os seus filhos

pesaroso, ele pára um instante.

Sabe que lá fora ninguém tem sossego

é muito difícil conseguir emprego

e triste, ele fica a imaginar....

Fica noite e dia nos filhos pensando

às vezes sonha e acorda chorando

lembrando deles, que demoram voltar.

A pobre mãe, meu amigo, também chorosa

no seu lar tão simples e carente

recorda com dor, muito saudosa

o seu lar feliz de antigamente.

Aquela sofredora e tão pobre senhora

olha o quarto, lamenta e chora

com o coração frágil e a pele envelhecida...

Além da solidão e da necessidade

padece dia a dia com a dura saudade

dos filhos tão longe da casa querida.

Mas eu peço ao meu Divino Senhor

que pregou união e paz na palestina

porta-voz da harmonia e do amor

grande mestre da santa doutrina.

Peço pela vossa mãe, sempre compadecida

Nossa Senhora Aparecida

que é tão divina, carinhosa e boa:

-Olhai por este mundo desumano

proteja meu povo brasileiro e baiano

que vive e padece no mundo à toa.

Meu bom Jesus de Nazaré

pela vossa majestade

fazei este povo encontrar a fé

e ter mais amor e humanidade.

Mande chuva e fartura pro meu sertão

fazei minha gente ter mais união

e muito amor pra semear na vida...

Pra que não veja nem fome, nem guerra

pra que seus filhos voltem pra sua terra

pra esta terra mãe, tão amada e tão querida.

Eduardo Mendonça
Enviado por Eduardo Mendonça em 26/09/2008
Reeditado em 01/10/2008
Código do texto: T1197130