MISTERIOSA MULHER.

 

 

 

 

Eu quero contigo estar, ó mulher misteriosa!

Eu desejo me embriagar na tua doce simpatia.

Deixa-me, por um instante, navegar os teus olhos perdidamente verdes?

Sonho que tu és o meu sonho, mas em vigília deparo-me com a tua dura realidade.

Tu és carne pronta a saciar a minha famélica fome devoradora.

Mensurarei o teu corpo santo e, com as medidas fulminantes dos meus olhares, devorar-te-ei horizontalmente e santamente.

Às vezes, eu percorro as tuas mãos com medidos cuidados, possuindo-te como corola aberta ao prazer.

Envolve-me para a eternidade com o teu perfume, depositando-me no sepulcro rubro do teu coração e na cruz santa dos teus braços.

Hei de me alimentar em tuas artérias e vértebras, numa antropofagia perdida de amor.

Quero matar outra vez a minha fome de ti sem saciar-me, para repetir esse gesto sempre famélico.

Alma alada, trânsfuga mulher, em teus cabelos gemados eu me enleio e me emaranho; desmanchando-os entre os meus dedos e provocando-te delírios sensuais.

O teu corpo tem caminhos de lua e sucos de maçã.

Oh selvagem púbis!

Depositário de castanha despenteada.

Túmulo sacrossanto de amor, o último talvegue escondido no vértice das tuas coxas.

Ardente é o teu fogo, de cujo rubor ensandece e prostram homens e demiurgos, satisfazendo os mais ousados prazeres.

Fantasia é a tua boca, flor ornada por dois parênteses apertados, imitando a violeta rubra e silvestre.

 

Eráclito Alírio da silveira
Enviado por Eráclito Alírio da silveira em 11/07/2008
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