VAZIOS

Quando as palavras desaparecem,

é noite escura, berço de trovoadas.

O fogo crepita, mas não ilumina.

A casa cheia é cheia de nada.

Os livros despertam, murmuram e gritam

palavras sem nexo que não mais ouvimos.

Parece que o sonho se escondeu no infinito

e, por ele, os raios se tornam um dobre de sinos.

Na alma, todos os retratos se retiram.

As paisagens interiores, de costas, se viram,

O andar dos ponteiros mostra suas chagas.

Quando as palavras desaparecem

o tempo que voa também nos esquece,

só deixando no rosto esses rastros de asas.