BRAÇOS MECÂNICOS

O braço mecânico da fábrica é preciso.

Inverdades são para os emotivos.

O braço mecânico da fábrica

manobra no espaço amarelo.

O braço amarelo mecânico da fábrica

manobra apenas nesta cor.

O braço mecânico tranquilizado

ajuda engendrar o frasco dourado

do aerossol.

O braço mecânico não se agita

antes de virar,

nem se importa

com o conteúdo sobre pressão

que fabricará.

O braço mecânico da fábrica

atua de um modo diferente

da loira do cinema.

Ela anda pelo boulevard da cena

e paralisa a tela da tevê,

enquanto você vai à cozinha

trazer a cerveja

para a continuação

do teu vício em álcool.

Você retorna, aciona a loira

pelo controle remoto

e ela prossegue,

mecânica, dourada,

dentro da película antiga.

No entanto,

parece pelo olhar,

a loira se preocupa

com teu enrosco afetivo.

A tua dor de amor

que chega à pressão suicida.

A loira olha,

mas não pode ajudar.

Sua existência audiovisual

ainda depende da repetição.

Ela para,

levanta o braço,

rente ao peito do parceiro eterno e diz:

"Leave me alone...”

DO LIVRO: "O ÚLTIMO FOGUETE"

Paulo Fontenelle de Araujo
Enviado por Paulo Fontenelle de Araujo em 08/12/2017
Reeditado em 21/04/2021
Código do texto: T6193565
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