ESTA FEIRA SANTA

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Não se expõem fantas;

E se ocultam secas.

Que parecem frescas.

Bebem e não te espantas.

E é normal, não se espantar.

Com estes ressuscitados pelo alcool.

Talvez três cálices depois, elevando-os aos céus de embriaguês.

Os tornando de santos à zumbis, com olhar chinês.

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Estes não os vejo desfilar na sexta-feira santa.

Estarão fugindo da água benta, a fanta?

Outros vão lá matar a fome com um pedaço de pão e um pouco de sumo.

Durante a tarde e a noite, basta se alimentar de fumo.

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Este dia de vitória.

Não me parece de glória.

Vendem a nossa mente um senhor morto.

Mal esculpido, só ressuscita três dias depois todo torto.

Porque não é gente, é aquela madeira que adoramos.

É aquele quadro que mesmo não sendo Da Vinci o pintor.

Desde que se pareça com o senhor.

É de se curvar.

É de se louvar.

Mas não por mim.

Acho melhor assim.

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Melhor ficar distante deste mercado, povoado.

Que dificilmente será perdoado.

Por fazer da santa sexta-feira.

O dia da anta besta, fera!

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Águia do Verso

Adilson Sozinho
Enviado por Adilson Sozinho em 25/03/2016
Código do texto: T5584807
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