Entre os mortos

Enterrado em dor e ódio,

Vendo a carne se decompor,

Lagrimas de desespero,

Uma vontade de vingança no coração podre.

O desgosto de ver meus inimigos vivos e sadios,

Como pude viver assim?

Com tanto ódio,

Mas é assim que quero...

Estou caminhando não sei para onde,

Mas posso arrastar alguns deles comigo,

A vida parece curta quando se quer uma vingança,

A morte pode ajudar...

Com cinco tiros de um covarde morri,

Mas posso caminhar,

Como um fantasma ou um zumbi,

Posso fazer meu nome...

No caminho escuro com cadáveres,

Eles dizem para parar,

Mas não posso parar,

Ainda tenho ódio.

Que consome minha alma,

E me deixa com vontade de matar,

Talvez eu seja um monstro,

Talvez eu não ligue...

Quero meu ódio devastando

Que se foda...

Quero morte cobrindo todos...

Disseram que seria sem dor...

Mentira, seu corpo é revirado,

Não sei onde estou,

A luz esta muito longe...

Depois de sete palmos de terra,

Pude ver para onde fui,

Afogado em lama,

Eles comem sua carne,

Se você ainda acha que tem...

La no alto da montanha,

Aquela figura estranha,

Salva alguns de nos.

Mas para outros é guerra...

E eles brigam pela vida,

E pela morte,

É um sofrimento que não tem fim...

Mas eu estou aqui,

Posso escutar a linda voz dela,

Mas em meu coração morto,

Quero morte...

Foi assim que mortos voltaram,

Pela vingança,

Pelo doce de matar...

Posso arrancar a terra de meu tumulo,

Em um dia de chuva posso voltar,

Mas o que preciso, são as lembranças,

O tesouro de um vivo...

Mergulhado em duvidas eu estou,

Minha vida nada valeu,

Minha morte pode ser mais,

Mas eles estão aqui...

Enquanto você reza para nos descansarmos em paz,

Eles roubam nossos corpos,

E andam entre os vivos,

Com nossos rostos...

Nós depois de mortos,

Depois de toda crueldade que fizemos,

Amaldiçoados pelos vivos,

E caçados pelos mortos...

Vemos essa cena,

Perdoei-me,

Não quero ser um deles,

A imagem negra vem,

E o corpo morto levanta,

Ele sorri e caminha para a cidade...

Não sei mais o que pensar,

Suas covas são violadas por eles,

Como covarde fujo,

Tenho muito medo...

Mas que porra esta acontecendo?

Sei que morri,

Mas não me deixam,

Descansar em paz...

Então procuro o caminho mais profundo,

É em meio a uma guerra,

Onde vejo vários como eu,

Ai vamo-nos...

Por meio da dor e solidão,

Sua vida por um fio,

Com eles atrás de você,

Querem seu corpo quase morto...

Sem heróis e sem vilões,

Cresce com uma comunidade que queria viver...

Sem culpa pelas mortes,

Tínhamos fome...

Então La estava eu,

Combatendo o inimigo,

E vendo a figura da morte passear...

Tentei atacar,

Mas quanto mais eu atacava,

Mais amigos meus morriam,

Triste escolha.

É eles morriam de tiros,

E pela própria morte que vinha buscá los,

Seu olhar era de desespero,

Pois via uma figura mítica buscar sua alma pobre...

Suas vidas acabavam como a minha,

Com um corredor sem fim,

Com muitas portas,

E monstros...

Então quando percebo o que acontece,

Vejo eles se levantarem e caminharem,

Minha cidade esta condenada...

Com corpos do cemitério local,

Sem entender a lógica do sangue,

Vejo minha cidade se deitar,

Aceitar sua morte...

Com sangue em minha alma,

Deito-me em meu tumulo,

A vida é uma merda,

Mas esperarei.

Acordaremos em meio a um apocalipse,

Sem vida e sem alma,

Como castigo,

Por temos sido idiotas...

Cristiano Siqueira 19/07/15

cristiano siqueira
Enviado por cristiano siqueira em 19/07/2015
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