Menino Triste
Afinal era abril, ou pouco menos . . .
Se banhavam meninas pelo rio,
Se a brisa era doce ou rosa-tenue,
Se no céu rebolavam as nuvens,
Sucedeu que o menino não sabia.
Êle estava deitado junto ao rio,
Respirando a brisa do crepusculo,
Olhando, sem olhar a libélula.
Ia de rama em rama - a libélula, digo-.
Também seus olhos iam,
De rama em rama, tristes.
Afinal nasceram as estrêlas;
Que se dormiu o pequeno rouxinol da tarde,
Que houve um pedaço de noite em cada coisa,
Que houve um pedaço de noite para o menino só.
Sôbre -azul- a colina se incendiavam fogueiras,
E ladrou no caminho um cachorro assustado.
Sucedeu que o menino chorava sem notar,
Sem levantar ruido;
Chorava junto ao rio, que êle viera deitar-se,
E arrancava uma nesga de terra com as unhas.
Afinal era abril, e não vieram
Meninas a exugar-lhe as lágrimas.
04/06/07